Você já observou que o afeto pode modificar o resultado das experiências e influenciar a conduta das pessoas? Certo dia, pude observar o poder do cultivo desse sentimento no Colégio Logosófico, onde atuo como assessora pedagógica do Ensino Fundamental I.
Durante uma atividade preparada pela equipe de Educação Física, um aluno sentiu-se incomodado com o comportamento de um colega e reagiu com agressividade. A professora, então, retirou-o do jogo. Ele ficou ainda mais nervoso, dizendo que não gostava de nada nem de ninguém…
Ao observar aquela cena, percebi que precisava atuar de maneira firme, mas, principalmente, com afeto e bondade.
Passados alguns momentos, fui até ele com o propósito de oferecer uma ajuda, algo que o levasse a refletir a respeito da forma como estava atuando. Perguntei-lhe se estava feliz. Estava com os olhos baixos e muito contrariado com a situação.
Fomos para um ambiente tranquilo e demonstrei o quanto estava disposta a ouvi-lo e ajudá-lo.
Sugeri que ele tentasse enumerar outras formas de resolver seus conflitos. Conversamos sobre a capacidade que o ser humano possui de pensar antes de agir, de atuar por meio da palavra e de frear o pensamento de impulsividade, utilizando os conhecimentos que já possuía, pois estudava no colégio há vários anos.
Observei que sua fisionomia foi ficando mais serena. Propus a ele que pensasse sobre nossa conversa e refletisse sobre sua conduta com os colegas, professores e familiares, realizando um esforço para melhorar suas atitudes e ter manhãs e momentos mais felizes em sua vida.
No dia seguinte, observei que o aluno chegou à escola mais tranquilo e com uma fisionomia mais serena.
Logo que o aluno chegou à escola, veio me contar que estava preparado para participar dos jogos, que tinha cultivado os melhores pensamentos e que não ia ter mais problemas de convivência com os colegas.
Abracei-o com afeto e disse que estava muito feliz e pronta para ajudá-lo a se recordar dos nossos combinados, se precisasse.
Logo que chegamos à quadra, ele recebeu uma cotovelada acidental de um colega e veio correndo me dizer que não havia reagido negativamente. Cumprimentei-o e disse que continuasse firme em seu objetivo.
O esforço que ele estava fazendo era visível e, a todo o momento, cruzávamos os olhares para nos certificarmos de que um estava cuidando do outro: ele, para buscar em mim o apoio e incentivo de que precisava, eu, para ter certeza de que tudo corria bem.
A manhã foi passando, e os momentos de alegria e bem estar, nutridos pelos pensamentos de esforço e de observação interna, foram se sucedendo. Novamente, ele passou pelo incômodo de receber empurrões dos colegas e, mais uma vez, conteve seus pensamentos de impulsividade e irritabilidade e não reagiu.
Ao voltarmos para a sala de aula, abracei-o com ternura e disse que estava muito feliz por sua valentia, esforço e determinação em querer acertar e, assim, ter uma manhã bem diferente da anterior. Uma manhã feliz!
Entendo que importantes recursos foram utilizados nessa experiência, como a enérgica doçura, a discrição, a sinceridade na atuação, a construção de um vínculo, o cultivo da confiança e o oferecimento de estímulos positivos (elogios e incentivos), recordando sempre que o êxito naquela situação foi fruto da observação e de um processo iniciado desde os primeiros dias do ano.
Essa experiência foi muito importante para que eu pudesse pensar em minha própria busca de querer ser uma pessoa melhor.
Ao conseguir colaborar com o aluno a refletir sobre suas atuações e a buscar nisso um maior conhecimento sobre si mesmo, tive a oportunidade de também refletir sobre meus pensamentos e minhas próprias ações.