Há cinco anos fiquei viúva. E então, o que fazer com tudo o que tenho aprendido sobre o amor na convivência?
Logo que alcancei essa compreensão, começaram a nascer os netos.
Como eu estava transbordando de amor, pedi com tato e de forma afetuosa à minha nora, que mora próximo à minha casa, a permissão de participar mais ativamente da vida do meu neto. Eu só queria acompanhar o crescimento dele. Para minha surpresa, ela se emocionou, me abraçou e disse que já iria me propor essa colaboração.
Desde então, tenho cuidado dele pelas manhãs, três dias por semana. Tenho aprendido a ser vovó, a conhecer um novo papel da mulher na humanidade e a entender a responsabilidade de exercer essa grandiosa missão.
Você não faz ideia do quanto eu e meu neto passamos momentos felizes juntos: conversando, lendo, produzindo histórias infantis baseadas em fatos da vida familiar, fazendo ligações de vídeo para a prima que mora em outra cidade, brincando, cuidando do cachorro, das plantas… Estamos construindo uma vinculação afetiva de confiança e amor que se fortalece a cada dia.
Com minha neta, que mora em outra cidade, aproveito intensamente cada momento em que estamos juntas. O amor é recíproco: seus olhinhos brilham quando me veem…
Minha neta tem três anos e meu neto está com dois anos.
Certo dia, fomos ao circo, e ambos queriam ficar perto da vovó. Ao chegarmos, logo na entrada, alguém ofereceu a meu neto um palhacinho confeccionado artesanalmente. Meu filho não comprou, justificando que isso desviaria a atenção deles do espetáculo.
Sem entender bem o que acontecia, meu neto se voltou para mim, como se esperasse que eu dissesse algo a respeito. Eu disse ao ouvido dele que, no dia seguinte, ele iria para a minha casa e faríamos um palhacinho bem lindo. Ele me olhou confiante e sorriu. Durante o espetáculo, ofereceram o brinquedo várias vezes, mas ele nem deu atenção.
No dia seguinte, quando ele chegou à minha casa, convidei-o a fazermos juntos um palhacinho
– Mas como vamos fazer o palhacinho? – perguntou.
Abri uma caixa de artesanato e lá encontramos muitos materiais interessantes. Enquanto eu confeccionava um lindo e bem colorido, ele criava brincadeiras, misturando linhas, fitas, fitilhos de várias cores.
Perguntei a ele do que mais havia gostado nos últimos dias, e ele disse:
– Do palhaço, vovó!
Eu quis saber o porquê. Ele respondeu sorrindo e olhando para mim:
Com esta experiência simples e, ao mesmo tempo, significativa para nossas vidas, comprovei o ensinamento da Logosofia de que “no coração humano cabem muitos amores”, como o amor de filha, de esposa, de mãe…
Sou imensamente grata a Deus pela oportunidade de viver e à Logosofia, que tem me ensinado a desfrutar com tanta intensidade momentos tão especiais nesta vida que recebi generosamente do Criador.
