Quando criança era comum chegar da escola, deixar a mochila na cadeira e sair correndo para o campinho jogar futebol com os amigos. Não passavam muitos instantes e lá estava minha mãe, no portão de casa, gritando: “Ô Fernando, vem almoçar!”
Como o jogo era muito animado, eu acabava ficando por lá e, ao chegar em casa, foram muitas as vezes em que fui recebido com uma bela chinelada.
Hoje posso dizer que era uma chinelada de amor, mas, naquele momento, ela era fruto de uma grande reação interna da minha mãe.
Dizia ela: “Já te falei que é para respeitar o horário do almoço!”
Passados alguns dias, sempre atraído pelo chamado dos amigos, lá estava eu de novo cometendo as mesmas falhas e, ao voltar para casa, já sabia o que me esperava: outra chinelada.
Qual deveria ter sido sua técnica para que eu aprendesse?
Em outro momento, meu pai me levava, junto com meu irmão e alguns amigos, para jogar futebol. No entusiasmo, no calor da brincadeira e no falatório das crianças dentro do carro, cometi o deslize de falar uma palavra inadequada, um “palavrão”.
Não levei uma chinelada de meu pai, mas suas palavras refletiram a mesma força com que minha mãe havia atuado.
Teriam sido esses fatos suficientes para que eu aprendesse a respeitar?
Será que aprendemos a respeitar? E de que forma aprendemos?
Quando meu filho nasceu, eu tinha esses exemplos de meus pais como elementos docentes.
Certa vez, quis aplicar a ele os mesmos métodos que havia recebido de meus pais. Mas, internamente, algo me advertia que repetir aquelas formas de agir não era suficiente. O que me faltava?
Pensamentos que têm vida própria, que entram e saem de nossas mentes sem que tenhamos o menor conhecimento deles.
Hoje compreendo que, para ensinar meu filho a respeitar, eu também precisava aprender a respeitar conscientemente. Não bastava repetir os métodos que havia recebido; era necessário conhecer a mim mesmo e compreender os pensamentos que influenciam minhas ações.