Autoconhecimento

O que você quer ser quando crescer?

outubro de 2026 - 3 min de leitura
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O que você quer ser quando crescer?

outubro de 2026 - 3 min de leitura

Quando meu filho tinha cerca de três anos, sua tia lhe fez uma pergunta que os adultos costumam considerar profunda:

— O que você quer ser quando crescer?

Ele, sem interromper sua importante atividade de comer um biscoito, respondeu com a serenidade de quem já havia resolvido a questão:

— Quero continuar sendo o João.

A resposta veio tão espontânea e convicta que, por um instante, todos ficamos em silêncio. 

A simplicidade daquela resposta permaneceu comigo, e foram surgindo muitas reflexões dentro de mim: 

Quantas vezes ao longo da vida nos afastamos de nossa essência para atender expectativas alheias, seguir roteiros prontos ou perseguir imagens de sucesso que pouco dialogam com nossa verdadeira natureza?

O que realmente nos faz felizes? O que desperta nosso entusiasmo? Quais virtudes desejamos fortalecer? Que ideal superior orienta nossos passos?

Aquelas poucas palavras me conduziram a uma reflexão instigante: crescer não deveria significar afastar-se de si mesmo, mas aproximar-se cada vez mais daquilo que se é em potencial.

Penso que o verdadeiro crescimento consiste em abandonar aspectos negativos da própria psicologia e encontrar a própria individualidade, no intuito de cultivá-la, elevá-la e fazê-la florescer.

Ser sempre, e cada vez mais, a melhor versão de nós mesmos.

Quando nos desconectamos de nossa individualidade, algo em nosso mundo interno perde cor. Os pensamentos tornam-se confusos, os propósitos enfraquecem e a vida passa a ser vivida mais por inércia do que por convicção. Como um jardim abandonado, a alma deixa de produzir flores e passa a ser ocupada pelas ervas espontâneas do desalento, da dispersão e da insatisfação.

E o que acontece dentro inevitavelmente se reflete fora. Afinal, raramente conseguimos iluminar o mundo externo quando as janelas da própria consciência permanecem fechadas.

Um dos ensinamentos mais valiosos que aprendi com a Logosofia é que, por meio do conhecimento de si mesmo e da evolução consciente, é possível resgatar o ser que somos, aquilo que nos torna únicos no mundo, e, ao mesmo tempo,  superar-nos como seres humanos.

Não se trata de voltar a ser quem éramos, mas de nos tornarmos quem podemos ser.

Ao longo desse processo de busca pela evolução consciente, pelo aperfeiçoamento e pela superação, percebi em mim o reaparecimento de valores que pareciam adormecidos: a espontaneidade, o entusiasmo, a criatividade, a capacidade de escutar com atenção genuína e de observar com mais profundidade. 

Vi conceitos antigos sendo substituídos por outros mais amplos, deficiências psicológicas cederem espaço a virtudes mais construtivas e pensamentos adquirirem maior ordem e clareza.

O conhecimento e o autoconhecimento são forças com alto poder de construção e transformação humanas. Cabe a nós termos discernimento para empregá-los a serviço do bem, do aprendizado e da evolução,  ou para alimentar conflitos, ilusões e sofrimentos desnecessários.

A escolha, em grande medida, permanece em nossas mãos. Talvez por isso a resposta do João continue ecoando dentro de mim.

É importante cultivar o respeito por tudo de bom que já mora dentro de nós, pela criança que fomos, e conservar o que temos de mais autêntico, de melhor: nossas virtudes, nossos valores, enquanto aprimoramos continuamente aquilo que podemos ser.

Continuar sendo o João.

Continuar sendo eu.

Mas ambos, a cada dia, melhores do que ontem. 

E, afinal, o que você quer ser quando crescer?

Mas ninguém, ou muito poucos, estão satisfeitos com o ponto em que chegaram; é então quando recorrem à fonte logosófica. Nela, uma vez conhecida a linguagem das coisas verdadeiras, aprendem a querer ser, de verdade, um ser; um ser ao qual conheçam integralmente e que lhes faça viver a vida em toda sua plenitude; que não lhes negue essa imensa prerrogativa que têm todos os humanos de experimentar as maravilhas que a existência oferece a quem a sabe sentir e viver em toda sua intensidade.
Introdução ao Conhecimento Logosófico

Introdução ao Conhecimento Logosófico

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Um pensamento de

 Jane Elisabete de Faria Lemos
Jane Elisabete de Faria Lemos nasceu em Itaúna-MG, casada, mãe de um filho. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Itaúna, técnica em Metalurgia pelo SENAI, empreende nos dias atuais em atividades no meio rural, entusiasta das escritas e tem ampla atuação no terceiro setor. Estudante no Centro de Estudos Logosóficos de Divinópolis- MG (residente Itaúna-MG), desde abril de 2023.

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