Comportamento

Gratidão como forma de conectar-se

julho de 2026 - 4 min de leitura
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Gratidão como forma de conectar-se

julho de 2026 - 4 min de leitura

Gratidão como forma de conectar-se 

 

Você já viu uma pessoa grata ser infeliz?! Eu nunca.

 

E é interessante observar isso, o que nos sugere que a gratidão se constitui em um verdadeiro poder próprio da espécie humana, especialmente quando ela se empenha em cultivar esse sentimento ao longo da vida. 

 

Gratidão como sentimento?! Sim, isso mesmo!!! A gratidão é um sentimento segundo a concepção logosófica. Descobrir isso, quando comecei a estudar Logosofia, tornou mais fácil para mim desenvolver e praticar a gratidão no meu dia a dia. Isso porque, sendo o sentimento um pensamento de alta hierarquia que se condensa no coração, logosoficamente falando, pude começar por criar, no caso da gratidão, um pensamento de correspondência a todo bem recebido e elegê-lo como um propósito a ser cultivado diariamente.

 

Esse pensamento de correspondência a um bem recebido, uma vez cultivado,  tem-me impulsionado a manter sempre uma boa disposição no trato para com aqueles que me fizeram o bem e, ao mesmo tempo, a buscar oportunidades de retribuí-lo por meio de ações concretas. Não por interesse ou por obrigação, mas simplesmente por querer fazer o bem pelo próprio bem.

 

Logo que iniciei meus estudos de Logosofia, e juntamente com eles, o exercício de cultivar a gratidão, recordo-me de ter ficado positivamente impressionada com as inúmeras manifestações de bem recebido que passaram a evidenciar-se em minha vida. Muitas delas me passavam despercebidas pelo simples fato de eu não estar atenta a elas. 

 

É um processo realmente surpreendente, pois quando se pratica o autoconhecimento proposto pela técnica logosófica, tem-se como um de seus passos a observação consciente. Esta prática consiste em manter um manter um estado de atenção constante sobre tudo o que acontece tanto no ambiente externo, na convivência com os semelhantes e com a sociedade, quanto –  e mais especialmente – no ambiente interno, na convivência consigo mesmo. Com isso,  passa-se a relacionar tudo o que se vive com o próprio pensar e sentir. 

 

E, ao conectar o que se vive com o próprio pensar e sentir, surge instantaneamente um sentido de colocação diante de si mesmo, diante do outro e, até mesmo, diante do universo no qual todos os seres vivos se encontram inseridos. 

 

Através do cultivo da gratidão, o ser humano passa a pensar mais em si, no outro e no universo, de forma natural, pois, ao compreender sua posição frente ao mundo, frente aos demais, frente à vida, sente-se parte integrante desse todo. E, por ser um ser pensante, sente-se também responsável por tudo que existe no universo.

 

É como se o ser humano despertasse para a importância e para a oportunidade de viver. Quando adquire o autoconhecimento, passa a saber para que vive e compreende que a vida vai muito além de um simples passeio aqui na Terra. Vive-se para superar as próprias limitações, para evoluir conscientemente e para participar da grande tarefa da ajuda mútua, colaborando uns com os outros, tal como ocorre na Natureza, onde todos os elementos cooperam entre si.

 

A conectividade, tema atual, não deve ser reduzida somente ao domínio funcional das máquinas. Como podemos praticá-la como algo inerente à natureza humana e não só como exclusividade tecnológica, já que a capacidade humana de inter-relacionar-se com o mundo existente é reconhecida e pesquisada desde os primórdios civilizatórios?!   

 

Gratidão é a palavra-chave. Isso porque a ingratidão, ao contrário, aciona todo tipo de mal que possa haver na mente humana, favorecendo pensamentos de índole muito destrutiva, que afastam a parte humana – e, por isso, divina – de tudo que seja bom, belo e justo. 

 

Entre os muitos artigos do pensador e humanista González Pecotche, autor da Logosofia, destaco um trecho do texto “A Gratidão”, publicado na revista Logosofia (maio de 1946) e reeditado em 2018, tomo 2 da coletânea, p. 230, cujo conteúdo é atemporal:  

 

A gratidão consciente não necessita de expressões externas e contribui para fazer ditosa a existência, porque mediante ela se acaricia intimamente a recordação, identificando-a com a vida. Como não guardar gratidão a tudo aquilo que cooperou para tornar mais fácil e feliz o transcorrer dos dias? Deter por um instante, pois, o pensamento naqueles que nos proporcionaram um bem é render-lhes uma justa homenagem, da qual a alma jamais se arrepende, especialmente porque nesses instantes a própria vida parece adquirir outro conteúdo, e o ser, como se uma força titânica, sublime e cheia de ternura o impulsionasse, sente-se disposto a ser mais bondoso e melhor.

 

A experiência humana na Terra tem sido resultado do campo experimental, que transforma as vicissitudes em constante aprendizagem e as conquistas da felicidade podem ser compartilhadas para um bem viver comum. Façamos, portanto, dessa experiência na Terra o melhor feito evolutivo que pudermos. 

 

A gratidão abre as portas da sensibilidade e nos impulsiona a corresponder naturalmente ao que recebemos ou oferecemos, como resposta ao fluxo e ao influxo dos movimentos do pensamento universal.


Um pensamento de

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