Recentemente vivi uma situação em que precisei ficar praticamente uma semana sem conseguir dizer uma palavra. Completamente afônica, os recursos modernos me auxiliaram muito. Eu me comunicava à distância pelo WhatsApp, e muitas pessoas nem chegaram a saber desse meu estado temporário, mas obrigatório, de mutismo.
Com as que estavam próximas a mim, também me comunicava por escrito, geralmente escrevendo à mão na tela de um tablet, o que era muito prático e rápido.
A vida seguia seu ritmo e exigia muitas interações, é claro.
Poderia ter sido uma experiência mais sofrida e, subjetivamente, mais longa. Mas foi interessante. Intui desde o princípio que haveria de me deparar com algumas deficiências psicológicas minhas e que, quanto mais serena eu me mantivesse, melhor seria para mim mesma.
Recordando o que tenho aprendido com os ensinamentos logosóficos, decidi amparar-me em pensamentos de bem, selecionando aqueles que poderiam me ajudar durante esse período. Lembrei-me de que toda situação adversa pode trazer uma oportunidade de aprendizado e que, se eu me mantivesse o mais serena possível, teria melhores condições de observar a mim e aos demais, extraindo dessa experiência elementos que me levassem a continuar a me conhecer melhor.
Perguntei a mim mesma: Como viver essa experiência da melhor forma possível? Como retirar dela elementos para me conhecer melhor? Como manter esses elementos na minha consciência depois que a experiência finalizasse? Como neutralizar uma deficiência?
A princípio, em uma análise superficial, seria cômodo pensar que seria simples debilitar uma deficiência dessa forma. Fazer do limão uma limonada!
Cogitei, aliviada, que algumas deficiências que se manifestam em mim mais fortemente através da linguagem oral sofreriam um duro golpe com esse meu quadro. Logo percebi que não era assim. Aliás, se fosse, minha tendência naturalmente mais reservada teria me preservado da manifestação de algumas dessas falhas em muitos outros momentos da vida, mas não é o que acontece.
Como qualquer pessoa, apresento deficiências psicológicas variadas, em combinações que me são próprias. Tenho tido a oportunidade de investigá-las, procurar conhecê-las cada vez mais e buscar debilitá-las através do método único preconizado pela ciência logosófica.
Vi-me, pois, com maior nitidez nesse laboratório da vida, observando-me como um genuíno objeto de investigação e ouvindo com mais clareza meus próprios pensamentos, já que o silêncio funcionava como um verdadeiro amplificador dos pensamentos que habitavam minha mente.
Imaginei, nesse meu processo de autoconhecimento, o estudo dos pensamentos que limitam minha evolução como elementos de uma composição interna que, ao se combinarem de diferentes formas, podem desencadear reações variadas, influenciadas pelas situações da vida e produzindo efeitos benéficos ou não.
Experimentei também a necessidade de ter valentia para afastar de minha mente pensamentos alheios. Nessa oportunidade, compreendi que uma preocupação e um carinhoso cuidado poderiam estar acompanhados de pensamentos de impaciência diante da aparente demora na recuperação do meu estado de saúde.
Como cientista de mim mesma, antevi a oportunidade de registrar o que viveria, para depois, seguindo o método proposto pelo criador da Logosofia, refletir sobre essas experiências e compará-las com outras já vividas.
Visualizei uma vez mentalmente e, depois, consultei outras tantas vezes no livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, a relação das deficiências, o que me fez recordar a tabela periódica e seus elementos químicos.
Assim, ampliou-se minha percepção sobre o valor do conhecimento. Senti-me segura e feliz por entender, desde o princípio, que essa experiência poderia ser vivida de maneira mais suave e que, quanto mais serena eu me mantivesse, menor seria o sofrimento psicológico que eu mesma me causaria.