Família

Brigas entre irmãos: problema ou oportunidade?

janeiro de 2026 - 3 min de leitura
Família

Brigas entre irmãos: problema ou oportunidade?

janeiro de 2026 - 3 min de leitura

Não é novidade para ninguém que a adolescência é uma fase desafiadora. As dúvidas são frequentes: corrijo ou deixo passar, deixo ir ou não, será que estou exagerando ou sendo permissiva demais? Esses são apenas alguns exemplos do que vivo diariamente com minhas duas filhas, de 14 e 16 anos.

Elas frequentemente trocam roupas, sapatos, maquiagem e muitas outras coisas. Às vezes brigam,  prometendo que nunca mais vão emprestar nada uma para a outra. No dia seguinte, porém, tudo volta a ser como antes. Que grande oportunidade é ter irmãos – quanto aprendizado sobre convivência eles nos oferecem!

Recentemente, uma delas ganhou de uma amiga um par de óculos de natação. Estavam bons, tinham somente um pequeno defeito. Sabendo que o presente também agradaria à irmã, ela já avisou antes mesmo de chegar em casa: 

– Ninguém fala para ela, está bem? Vou guardar no meu armário, senão ela vai ver e, ao usar, pode estragar ainda mais. Além disso, eu quero usar primeiro.

Eu e o pai a entendemos inicialmente. Passados alguns minutos, pensei que seria uma boa oportunidade para ela aprender a cultivar a gratidão, independente da decisão que tomasse

– Lembre-se de que sua irmã lhe empresta tudo o que você precisa, filha!

– Eu também empresto para ela, mãe, mas às vezes alguma coisa acaba voltando estragada.

– O mesmo acontece com você. Lembra daquela roupa que manchou em uma festa? Você não teve intenção, assim como ela também não tem quando algo dá errado. O importante é que as duas cuidem bem das coisas, como se fossem suas, e vejo que isso acontece com vocês. Continuem trocando; assim, as duas saem ganhando, já que dobram a quantidade do que têm. 

Após mais alguns argumentos de ambas as partes, sugeri que ela pensasse a respeito e tomasse sua decisão, finalizando da seguinte forma:

– Se eu estivesse no seu lugar, mostraria os óculos para ela, destacando onde está o defeito. Caso sua irmã precise usar, reforce que ela deve tomar muito cuidado. Você sabe que ela o fará, assim como você cuida das coisas dela. Essa é uma forma de retribuir o bem que ela lhe faz ao emprestar tantas coisas.

Encerramos a conversa por aí.

Passado um tempo, escuto as duas conversando: 

– Veja os óculos que ganhei…

Ainda não sei qual será o desfecho do empréstimo, pois a oportunidade ainda não surgiu, mas achei muito bonita a atitude dela de já ter mostrado os óculos à irmã.  Senti alegria e confiança, refletindo que estimular o cultivo dos grandes sentimentos em nossos adolescentes – como gratidão e generosidade – vale sempre à pena, pois esses sentimentos podem florescer quando menos esperamos.

A família é o templo sagrado onde cada ser humano aprende, no amor a seus pais e irmãos, a amar a Deus e aos seus semelhantes e é, ao mesmo tempo, o ateliê insubstituível onde se forjam as bases da unidade humana.
Coletânea da Revista Logosofia – Tomo V

Coletânea da Revista Logosofia – Tomo V

Ver mais

Um pensamento de

 Silvana Alkmim
Silvana Miranda, odontóloga e mestre em clínicas odontológicas pela PUC-MG, é de Belo Horizonte, MG. Casada desde 2004, é mãe de duas filhas. Estuda e é docente de Logosofia em Belo Horizonte desde 1994.

Você também pode gostar

Família

Como me tornei uma melhor filha

Neste artigo a autora aborda a temática das relações entre pais e filhos e compartilha as suas reflexões, tomando por base a sua trajetória familiar, de porque muitas dessas relações deixam de ...

Família

Posso redimir meus erros ainda nesta existência?

É possível redimir a si mesmo? Posso redimir a mesma dos erros que cometi na educação de meus filhos? Mesmo eles já estando grandes e crescidos? O autor da Logosofia, Carlos Bernardo González Pe...

Família

A sabedoria da natureza e a lei da superação, por Odete Tiecher Logosofia

Como compreender que, na educação, nem toda ausência é abandono? De que forma a natureza revela leis universais que também regem o desenvolvimento humano? Até que ponto proteger pode impedir a s...