Comportamento

Crer e Saber – o que diferencia essas duas atitudes

outubro de 2022 - 2 min de leitura
Comportamento

Crer e Saber – o que diferencia essas duas atitudes

outubro de 2022 - 2 min de leitura

A primeira vez que me recordo de ter encarado essa dupla possibilidade frente a um fato da vida foi na infância.

Lá pelos sete anos de idade, quando começava a frequentar os bancos escolares. Minhas aulas eram no período da tarde, das 14h às 17h, sem intervalo para lanche. Naquela época as carteiras eram duplas, cada criança com sua parceira.

A minha colega saía todos os dias da sala em torno das 15h30 e voltava alguns minutos depois. Aquilo me intrigava. A professora explicou que ela precisava tomar um remédio naquele horário. Fiquei pesarosa, com pena da amiguinha.

Um dia observei que ela voltou para a sala com migalhinhas de pão na blusa, e aquilo despertou minha curiosidade. No dia seguinte, quando ela saiu, pedi para ir ao banheiro e a segui de longe. Que surpresa!

No portão da escola, a mãe lhe entregava um lanche, que ela comia rápido para voltar para a aula. Corri de volta e, chegando antes dela, disse animada e feliz na porta da classe:

– Professora! Ela não está doente! Ela sai para comer o lanche!

A partir daí, todas as crianças da minha sala foram autorizadas a trazer um lanche de pão com manteiga para comer na própria sala, no meio do período, e a minha parceira não precisou mais sair todos os dias naquele horário.

Muitos anos depois, já adulta, conheci a Logosofia e comecei a ler os livros do autor. Uma orientação, repetida em vários livros, chamou minha atenção: o leitor não deve acreditar nas suas afirmações, por mais claras e lógicas que pareçam. Na linguagem logosófica, a palavra “crer” é substituída pela palavra “saber”, pois é imprescindível a comprovação individual das verdades transcendentais reveladas pela concepção logosófica.

Para compreender a necessidade da substituição do “crer” pelo “saber”, busquei alguma experiência vivida que me comprovasse essa vantagem, e foi então que resgatei essa simples experiência vivida na infância. Analisando o que se passou dentro e fora de mim mesma naquela oportunidade, identifiquei que o saber exige uma postura ativa, de comprovação, observação, movimento, o que é muito diferente da posição passiva, de simples aceitação.

[conceito]Dá muito mais trabalho saber do que crer, mas a segurança que se adquire ao assimilar o conhecimento compensa todos os esforços.[/conceito]

E esse conhecimento beneficia não só a mim, como também aos que me rodeiam. O conhecimento amplia a vida; permite descortinar uma realidade que a ignorância nos impede de desfrutar.


Um pensamento de

 Marcia Signorini
Marcia Signorini, arquiteta e designer, nasceu em São Caetano do Sul, SP, formada e pós graduada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, é investigadora da ciência logosófica em São Paulo desde o final da década de 1970. 

Você também pode gostar

Comportamento

Qual a responsabilidade do jovem frente ao mundo e a si mesmo

Qual a responsabilidade do jovem frente ao mundo e a si mesmo? Ao ver a frase nas redes sociais: “Seja você responsável pela mudança que quer ver no mundo”, o jovem Pedro Oliveira se qu...

Comportamento

Como a valentia me ajudou a escolher um novo caminho profissional

Qual a importância de escolher o caminho profissional? E de mudar esta escolha? Mateus Ambrósio conta como foi necessário cultivar a valentia para escolher um novo caminho profissional. Ao estudar ...

Comportamento

O exemplo às crianças do cultivo da valentia nas experiências diárias

O que um acidente doméstico pode ensinar a si mesmo e às crianças? Jane Elisabete Lemos conta como cultivou, conscientemente, valores como a contenção, pensamentos de irritabilidade e brusquidão...