Autoconhecimento

Logosofia: ciência do conhecimento de si mesmo

agosto de 2026 - 4 min de leitura
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Logosofia: ciência do conhecimento de si mesmo

agosto de 2026 - 4 min de leitura

A Logosofia é uma ciência que conduz o ser humano ao conhecimento de si mesmo, favorecendo sua superação. Ela foi criada pelo humanista e educador argentino Carlos Bernardo González Pecotche. 

Ciência e cultura ao mesmo tempo, a Logosofia   apresenta um conjunto de princípios e conhecimentos, bem como um método de estudo próprio, que  contribui para a formação de uma nova cultura. Ela se caracteriza por ser formativa, propiciando a cada estudante a realização de um processo interno de superação humana: o processo de evolução consciente. Isso significa que, embora o ordenamento de seus conceitos e ideias seja essencial para a investigação e o conhecimento da própria vida, é necessário não se limitar aos seus aspectos teóricos, mas experimentá-los, iniciando pelo ordenamento da própria mente, a fim de explorar, conhecer e aperfeiçoar-se.

Desde o início do estudo, aprendemos que possuímos um sistema mental constituído pela inteligência, com suas faculdades, e pelos pensamentos, definidos como entidades psicológicas com vida própria, que podem passar de uma mente a outra com grande facilidade, muitas vezes, sem que tenhamos consciência disso. A Logosofia nos ensina a identificá-los, classificá-los, selecioná-los e organizá-los,  de modo que eles se submetam à nossa vontade e não atuem à revelia de nossa consciência.  

Ela também orienta a utilizar conscientemente as faculdades da inteligência para pensar, observar, entender, raciocinar, recordar, etc. Ao mesmo tempo, oferece conhecimentos sobre a sensibilidade e os sentimentos, estimulando o cultivo do afeto, da amizade, da alegria e de tantos outros valores que nos elevam como seres humanos.

Não é um exercício fácil levar os ensinamentos logosóficos à experimentação individual, mas é possível realizá-lo com esforço, autodeterminação, paciência e persistência.  

Um dos meus primeiros passos consistiu em aprender sobre o meu sistema mental, seus recursos e mecanismos. Comecei a enxergar o que acontecia em minha mente e a influência que os pensamentos exerciam em minha vida cotidiana.

Recordo-me de quando comecei a colocar esses aprendizados em prática, impulsionada pela vontade de compreender melhor a mim mesma. Durante uma conversa entre amigas, uma delas sustentava, com firmeza, que uma atitude ríspida deveria ser respondida na mesma medida. Suas palavras despertaram em mim uma reflexão. Antes de responder, observei o movimento acelerado dos pensamentos em minha mente e procurei aquietá-los. Então perguntei: “Não é assim que muitos conflitos têm início, a partir de pequenos desentendimentos? Por que eu deveria espelhar a conduta de quem escolhe agir dessa maneira?” Ela, então, retrucou: “Mas o que os outros vão pensar a seu respeito se você não reagir às provocações?” 

Foi então que aconteceu algo maravilhoso dentro de mim. Senti que o importante seria que os outros formassem um conceito verdadeiro a meu respeito, observando quem eu realmente era. Naquele momento, senti que estava começando a conhecer a mim mesma, identificando aquilo que constituía minha essência.

No exercício de minha faculdade de observar, comecei a perceber a qualidade e os movimentos dos pensamentos que circulavam em minha mente. Alguns deles eram tão prejudiciais que afetavam meu modo de ser e minha conduta; por exemplo, o pensamento de suscetibilidade, que me levava a sentir-me ofendida no trato comum, sem nenhuma razão ou pelos motivos mais insignificantes. Como consequência, eu sofria muito, acreditando que alguém não gostava de mim ou não me respeitava o suficiente. 

À medida que fui conseguindo observar o que acontecia em minha mente e em minha sensibilidade, passei a me esforçar para superar a influência desse pensamento, que me deixava tão vulnerável. 

O método logosófico preconiza que devemos experimentar o que estudamos e, depois, voltar a estudar o que experimentamos. Foi o que fiz. Ao identificar a existência de um pensamento negativo, é necessário contrapor outro pensamento com força suficiente para restaurar o equilíbrio interno. No caso da suscetibilidade, esse pensamento era o de equanimidade.  Com o seu cultivo, tenho conseguido manter mais equilíbrio no juízo, mais clareza em meu entendimento e agir com mais serenidade e confiança em mim mesma, relevando as atuações contrárias às minhas expectativas.

Vejo a Logosofia como uma ciência complementar às demais ciências e a tudo que o entendimento humano busca conhecer e compreender.  Com a aplicação de seus conhecimentos em minha vida, tenho conseguido me conduzir com mais paciência, tolerância, alegria e acerto em minha conduta diária.

Iniciaremos a exposição deste Curso perguntando por que razão a cultura vigente – ocidental ou oriental – apresenta, em todas as partes, sintomas inconfundíveis que prenunciam sua inevitável decadência. A resposta é clara, simples e unívoca: falha pela base. E a que se deve esta falha pela base? Às seguintes causas: a) Não tem sido nem é capaz de ensinar o homem a conhecer a si mesmo. b) Não lhe tem ensinado a conhecer o mundo mental que o rodeia, interpenetra e influi poderosamente em sua vida. c) Não lhe tem ensinado a compreender, amar e respeitar o Autor da Criação, nem a descobrir sua Vontade através de suas Leis e das múltiplas manifestações de seu Espírito Universal.

Um pensamento de

 Aldenan Ribeiro
Aldenan, nascida em Torixoreú - MT, divorciada, 2 filhos e 4 netos, é formada em Enfermagem e atualmente funcionária pública aposentada. Docente da Fundação Logosófica de Brasília, onde ingressou em 1984.

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