Ao recordar minha infância, reconheço em mim uma criança profundamente curiosa e inclinada à verdade. Desde cedo, buscava compreender o mundo ao meu redor, formulando perguntas constantes na tentativa de encontrar explicações sobre a vida e o mundo que me cercava. Essa característica inquisitiva não apenas se manteve, como se intensificou na adolescência e juventude.
Ao mesmo tempo, cresciam em mim questionamentos sobre destino, Deus e existência. Diante da ausência de respostas que satisfizesse minhas inquietações, acabei adotando uma postura agnóstica, especialmente quanto à ideia da finitude da vida, que me parecia limitada a um ciclo que começava do nada e terminava com a morte.
Nessa etapa da vida, também surgiram propósitos de ser melhor e de ajudar ao próximo, especialmente ao observar o sofrimento humano. Queria ser mais feliz e contribuir de alguma forma para o bem das pessoas e da humanidade.
Foi a partir desse contexto que nasceu minha vocação para a Medicina, vista por mim como uma forma de ajudar outras pessoas.
Após concluir minha formação médica e estabelecer-me profissionalmente, alcancei estabilidade e perspectivas promissoras. Ainda assim, percebia um vazio interior que não era preenchido pelas conquistas materiais ou reconhecimento profissional e social. Tratava-se de uma ausência de sentido mais profundo — um vazio espiritual que me impulsionou a buscar respostas em diferentes áreas do conhecimento, como psicologia, história e teologia.
Durante esse processo, tive meu primeiro contato com a Logosofia por meio dos livros de Carlos Bernardo González Pecotche. Embora inicialmente sua linguagem me parecesse complexa, os conceitos apresentados por esse humanista despertaram em mim grande interesse. Minha aproximação com suas ideias foi gradual e fundamentada na aplicação prática de seus ensinamentos.
O contato com a Logosofia trouxe uma proposta transformadora: “virar a lanterna para dentro”, ou seja, direcionar o olhar para o meu próprio mundo interno. Esse convite representou um divisor de águas. Ao iniciar esse processo, descobri um universo até então desconhecido, composto por pensamentos, sentimentos e forças internas que influenciavam diretamente minha vida. Estes, quando compreendidos e organizados, permitem o pleno funcionamento das faculdades da inteligência e da sensibilidade.
A partir de então, compreendi que havia em mim uma dimensão interna carente de ser conhecida e cultivada. Passei a desenvolver valores como confiança, amor e gratidão, percebendo que a verdadeira felicidade não dependia apenas das circunstâncias externas, mas poderia surgir de um estado interior consciente. Aprendi também a organizar melhor minha mente e a selecionar e eliminar pensamentos indesejáveis.
Ao refletir sobre mais de três décadas de estudo e prática da Logosofia, reconheço profundas transformações em meu ser. Consegui modificar aspectos da minha herança psicológica, tornando-me mais consciente de mim mesmo e das minhas ações. Além disso, compreendi com maior clareza o propósito da vida humana: evoluir e servir de maneira consciente.
Essa jornada tem sido marcada por desafios e aprendizados constantes, em que as lutas se tornaram importantes oportunidades e fatores de amadurecimento que ampliaram significativamente minha visão de mundo e de existência.
Sinto profunda gratidão a González Pecotche por ter me revelado esse caminho, que me proporcionou não apenas respostas, mas uma nova forma de viver: mais consciente, humana e orientada para o bem, na qual venho cultivando sentimentos nobres e elevados.