Como posso vincular a obtenção de conhecimento com o exercício do afeto?
E mais:
Que relação há entre essas práticas para minha evolução humana e para o serviço aos meus semelhantes?
Tais indagações me levaram à recordação do início de minha existência e me fizeram lembrar de que, na infância, eu sentia o desejo de conhecer, de aprender e de ir além, mas entendia isso como algo natural e espontâneo, sem a necessidade de maiores explicações, algo que surgia em qualquer ser humano normal.
Mesmo ainda criança, eu olhava meus semelhantes com muito amor e, diante das costumeiras asperezas e contrariedades infantis, sentia um certo abalo emocional – às vezes até tristeza – , pois não gostava de confrontos de qualquer espécie. Era como se intuísse que a humanidade poderia encontrar uma forma mais harmoniosa e pacífica de convivência e de trocas saudáveis.
O tempo passou, cresci, me realizei pessoal e profissionalmente, e a sede pelo conhecimento só fez aumentar, mas passou a abranger outros âmbitos e inquietudes.
Sentia que todo conhecimento que elevasse minha vida também deveria ser compartilhado com meus semelhantes, mas ainda procurava a forma adequada de fazê-lo.
Para dar vazão à força desse grande desejo, ingressei na docência do ensino superior e, com muita alegria, compartilhava o meu melhor com meus alunos, vendo em cada um deles a mim mesma, desejando que aprendessem como eu gostaria de ter aprendido, com toda a entrega de conteúdo, afeto e empatia que eu pudesse expressar.
Mas as inquietudes não cessaram. Queria me conhecer melhor, entender o porquê de certas circunstâncias da minha vida física e espiritual que ainda me pareciam inexplicáveis. Foi então que encontrei a ciência logosófica e, a partir desse encontro, minha vida se ampliou pela força e pela profundidade de seus elevados e reveladores ensinamentos.
Num determinado dia, durante a realização de um estudo, tive acesso a um conhecimento que traduziu em palavras aquela intuição infantil já sentida e experimentada:
O ensinamento logosófico estabelece que tudo quanto o homem pense e faça deve, necessariamente, estar influído por essa força externa que se chama afeto, e ensina que todo estudo deve ser realizado com sentimento altruísta, a fim de que o esforço individual contribua para a elevação e felicidade do gênero humano. Logosofia Ciência e Método, p. 139.
Refleti profundamente sobre cada uma das palavras que trazia e entendi que elas confirmavam um ardor espiritual há muito sentido. Não era um mero desejo de aprender e de compartilhar com afeto, mas uma revelação que se converteu na força de um conhecimento, pois já se integrava naturalmente à minha consciência, nas experiências diárias.
Constatei e confirmei claramente que aquela sede de conhecimento era, de fato, uma iniciativa espiritual, para que minha evolução não se detivesse apenas em causas próprias, superficiais e materiais, mas fosse além e encontrasse a essência verdadeira do meu viver individual, como ser e parte da humanidade.
Hoje sei que nutro essa prerrogativa humana com um profundo sentimento de gratidão, e atribuo a compreensão desse elevado manancial de conhecimentos e sentimentos à Ciência Logosófica, que, com seus ensinamentos, me ilumina pela via do amor consciente – expressão de uma necessidade inerente ao meu próprio viver.
Carlos Bernardo González Pecotche, humanista, educador e autor desta original ciência, nos ensina que a Logosofia, ao realizar a obra de bem a que se propõe, tem no afeto um meio insubstituível para seu cumprimento e perenidade.
O afeto deve ser a base das relações humanas e desenvolver-se de maneira natural e espontânea. É assim que já o sentia, e hoje busco realizar o esforço diário de estudar, aprender, ensinar, pensar e realizar, tornando rico e estimulante cada minuto de minha existência.
Há, pois, uma causa maior e para além de mim que me fortalece e me impulsiona a desejar que toda a humanidade tenha acesso à vastíssima gama de bem e elevação que a ciência logosófica tem me permitido obter.
Despeço-me reiterando a felicidade de meus dias e de minha vida, por continuar a manter a força interna, extraída da poderosa fonte de energia e fertilidade encontradas nos ensinamentos logosóficos, que instituem uma nova cultura e oferecem à humanidade a elevada prerrogativa de evoluir e aperfeiçoar-se conscientemente.
