Certo dia, bem cedinho, caminhando pelas ruas, olhei para o céu e vi muitas nuvens em movimento. Mais à frente, havia um pequeno riacho, também se movendo, se oxigenando, renovando suas águas, gerando energia, fazendo as plantas crescerem e alimentando os animais. Pensei: é a natureza promovendo a vida no planeta.
Em volta do riacho, observei que havia muitas árvores, flores, animais e diferentes tipos de pássaros: uns bebiam água e se alimentavam, outros cantavam – pareciam entoar a própria alegria de viver. Já não era mais um olhar e um ouvir despretensioso do som que vinha das águas do riacho caindo sobre as pedras, do cantarolar dos pássaros ou do sentir o cheiro agradável da terra, das plantas e das flores, sem nenhuma conexão com o meu interno.
Eram os sentidos da minha alma e do meu coração me fazendo experimentar a verdadeira sensação de existir, me dizendo que é, sim, possível encontrar respostas para minhas inquietudes espirituais, satisfazer minhas aspirações de saber mais, ser uma pessoa melhor e mais feliz, e aprender a conduzir a vida de forma mais consciente, em direção a um destino melhor, que transcenda o comum.
Ali estava eu, fazendo um exercício mental e sensível, proposto pela Logosofia, de não ser indiferente ao mundo que me rodeia nem permanecer alheia às palpitações da vida que respira.
Já não era mais um olhar apenas voltado para fora, distraído, inerte, sem vida, sem admiração ou contemplação, mas sim um olhar atento, buscando apreciar a beleza e a riqueza da Criação, para descobrir sua bondade e desfrutar de suas prerrogativas.
González Pecotche, autor da Ciência Logosófica, afirma:
… o homem é o único ser da Criação capaz de experimentar mudanças por própria determinação. Isso explica porque, enquanto a natureza cumpre através de ciclos existenciais de longa duração seu trabalho de seleção das espécies inferiores, a raça humana é particularmente impulsionada em seus avanços pela lei que governa a evolução… (Do Livro O Senhor de Sándara, p. 471.)
Aí entendi que o ser humano pode realizar estes ciclos evolutivos de forma mais acelerada, porque é o único ser da Criação dotado de um “mecanismo mental extraordinário”, capaz de conhecer seus recursos internos, de mudar e evoluir.
Não apenas para desfrutar da beleza, da riqueza e da diversidade da natureza, mas também para, com os olhos do entendimento, receber sua energia e recolher elementos instrutivos que iluminem a inteligência, permitam o autoconhecimento, expandam a vida, promovam a evolução e auxiliem na construção do próprio destino.
