No próximo dia 11 de agosto—Dia Mundial da Logosofia—, sua obra completa 96 anos. Sinto-me, então, estimulada a falar um pouco do bem que este ser veio trazer à humanidade, dedicando trinta e três anos de sua vida física a guiar, corrigir e auxiliar todos os que se tornaram seus discípulos ou que tomaram contato com seus ensinamentos, ajudando-os a transformar as próprias vidas em um valioso bem.
Mas de que bem estamos falando? E como a humanidade vem desfrutando dele?
Em todos os seus pronunciamentos, o autor da Logosofia sempre enfatizava que não ensinava apenas aos que o ouviam naquele momento, mas destinava seus conhecimentos a toda a humanidade, presente e futura, pois vinha revelar o destino transcendente que todo ser humano está equipado com todas as condições para trilhar.
Portanto, eu, que conheci sua obra e me integrei ao conjunto de seus discípulos depois de sua partida deste mundo físico, falo aqui como essa humanidade futura, que tanto vem se beneficiando do bem— a Obra Logosófica — que ele construiu e deixou como legado.
Tomei contato com os ensinamentos de González Pecotche quando tinha apenas vinte anos e, apesar de tão jovem, experimentava um estado que ele revelava como de desorientação e pessimismo, diagnosticando-o como a doença do vazio. Embora me preocupasse em conduzir minha vida segundo valores e buscando o bem, sentia-me desamparada ao perceber que esses valores e o próprio conceito de bem pareciam elementos relativos no tempo e no espaço. Psicologicamente, eu me via como uma estranha para mim mesma, que desconhecia por completo as razões de atitudes e condutas que não me faziam feliz na convivência com os outros. Sentia-me injustamente condenada a ser como era por toda a vida que ainda tinha pela frente.
Experimentava uma inquietação crescente desde o final da adolescência, para compreender o sentido da vida além de sua dimensão física e material. Não encontrava nas explicações dos adultos nem nas convicções que orientavam suas vidas nada que respondesse às minhas perguntas e acalmasse aquele estado de ânimo. Foi assim que conheci a Fundação Logosófica e a obra de González Pecotche.
Tão logo entrei em contato com o primeiro livro — Curso de Iniciação Logosófica — compreendi, ainda sem alcançar totalmente a profundidade de seus ensinamentos, que ele me abria a perspectiva de encaminhar todas as minhas questões existenciais e formular as respostas que tanto buscava.
Mas o que mais me cativou, naquele momento, foi saber que,conforme afirmava categoricamente aquele livro, eu não deveria crer em seus ensinamentos, mas exercer o pensar sobre aquilo que me apresentava, para, por meio do entendimento e da razão, examinar, estudar e formar meu próprio critério sobre a verdade da qual me aproximava.
Nunca esqueço a surpresa e o encantamento que tal solicitação produziu em minha alma – rebelde como a de todo jovem diante das imposições e da proibição de questionar as “verdades” até ali me tinham sido apresentadas. Numa das páginas desse livro, afirmava:
“Felizmente para ele (o desconfiado diante da aproximação da verdade logosófica), nossa ciência constitui a panaceia ideal do desconfiado, já que num de seus princípios ela declara que ninguém deve aceitar cegamente o novo, a não ser depois de haver comprovado que é melhor do que aquilo que tem. A comprovação prévia de uma verdade é, pois, lei no processo de evolução consciente.” (obra citada, p. 48, item 84)
Foi a conquista de um primeiro espaço no coração de uma jovem tão inquieta e angustiada quanto desconfiada e questionadora. Assim, iniciei um processo de aproximação a este ser que não tive a oportunidade de conhecer fisicamente, mas que, tenho certeza, mudou radicalmente o rumo da minha vida.
Que bem González Pecotche me fez? Fez-me confirmar que não é possível construir uma vida pautada em valores e no bem, conquistando virtudes, se não somos guiados pela Vontade do Criador, manifestada em suas Leis Universais — conhecimento que mereceria um capítulo à parte, não fosse meu propósito, neste breve relato, falar apenas do bem que González Pecotche me fez.
Venho aprendendo a conhecer as Leis que regem mais diretamente a vida humana e a reconhecer, em meu mundo interno, seus ensinamentos: de aprovação quando sigo seus ditados e de correção quando procuro compreender a causa dos erros que cometo, sempre com o fim de me conduzir pelo caminho indicado pelo mesmo Criador.
Compreendi que os valores verdadeiros independem do tempo e do espaço, e , a partir disso, experimentei grande amparo e segurança para guiar minha conduta.
Apresentou-me um ser que me era totalmente estranho: eu mesma. E fez isso com a feliz perspectiva de transformar esse ser aos poucos, com base em conhecimentos e indicações precisas. Revelou-me que, pelo conhecimento de mim mesma, eu começaria a reconhecer aspectos não tão belos do meu próprio ser, substituindo cada defeito — as deficiências psicológicas — por um valor.
Tudo isso através do método logosófico, que me ensinaria a identificar essas falhas, compreender como se movem em nossa vida psicológica e aprender a enfraquecê-las até neutralizá-las. Que perspectiva mais animadora e feliz poderia haver para aquele ser desconhecido que, naquele instante, começava a percorrer esse caminho que me foi apresentado?
Explicou-me também que aquela inquietação constante, aquele estado de desorientação e pessimismo, a doença do vazio de que eu sofria, era o sintoma mais evidente de que uma segunda natureza dentro de mim, além da física que eu mal conhecia, pedia para ser ouvida e atendida.
Revelou-me a existência da natureza espiritual do ser humano, livre de qualquer caráter fenomênico, mas tão distante da minha realidade naquele momento que, de imediato, senti-me não somente encantada com as revelações que trazia em seus ensinamentos, mas também estimulada a conhecê-la e me capacitar para atendê-la, dando à minha vida o conteúdo transcendente que até então apenas intuía que deveria ter.
Passaram-se décadas desde aqueles dias. Tornei-me uma estudiosa entusiasta de seus conhecimentos, porque todos podem ser realizados e me convidam, todos os dias, a comprová-los em minha vida mental, psicológica e espiritual.
E assim, ao longo destes anos, venho me conhecendo, construindo valores, debilitando deficiências que tanto prejudicam a expressão humana e, sobretudo, aproximando-me mais e mais dessa natureza espiritual que me anima e que sou eu mesma em constante processo de aperfeiçoamento e superação.
Mas o bem maior que este ser me fez — e continua fazendo— tem sido ensinar-me a compartilhar tudo isso com os seres que, ao meu redor, constituem uma parcela da humanidade.
Assim, como mãe e hoje avó, tive a maior das felicidades ao transmitir esses conhecimentos aos meus filhos e, agora, tenho a alegria de vê-los fazendo o mesmo com meus queridos netinhos: transmitir-lhes o sentido espiritual da vida e o formoso caminho que nos foi aberto por Deus por meio do processo de evolução consciente ensinado por González Pecotche.
A esse ser, como parte desta humanidade presente e futura, rendo minha homenagem de gratidão pelo bem que seus conhecimentos proporcionam e ainda poderão proporcionar a todo indivíduo, como o maior dos bens que se pode alcançar.