Todos os dias da semana, saio de casa bem cedo para ir ao trabalho. Adotei um meio de transporte que, além de manter meu físico ativo, me oferece uma grande oportunidade de contemplar a natureza: uma bicicleta.
No meu trajeto, comecei a observar uma mulher com uma criança, dando a entender que esperavam a condução para a escola. Os dias se repetiam, e eu percebia o quanto aquela mulher era afetuosa com a criança, com uma ternura que lembrava o cuidado da natureza com seus pequenos seres.
Certo dia, passando bem pertinho das duas, ouvi a criança dizer:
– Essa mulher passa por aqui todos os dias!
Ao ouvir aquilo, olhei para ela e disse:
– Bom dia!
Ela não respondeu; apenas me olhou com uma carinha de susto.
No dia seguinte, passei por ela novamente e cumprimentei:
– Bom dia!
Dessa vez, ela me olhou com um sorriso no rosto e respondeu:
– Bom dia!
Foi um instante muito feliz! Passei a sair de casa entusiasmada, esperando encontrá-la, e isso se repetia todos os dias da semana.
Não sabia o seu nome, nem ela o meu. Pensei: “Quero muito conhecer essa menininha. O que posso fazer?” Logo me veio uma ideia: “Vou levar um livro de histórias. Será uma grande oportunidade de conhecê-la.
No dia seguinte, parei a minha bicicleta e lhe dei um “Bom dia” bem pertinho. A menina ficou muito surpresa! A alegria tomou conta de sua fisionomia, e ela abriu um belo sorriso.
Perguntei o seu nome, entreguei o presente e vi um brilho de alegria em seu olhar. A mãe agradeceu a atenção, e logo segui o meu trajeto. Os dias se repetiam, e o seu sorriso era cada vez mais encantador.
Um belo dia, quando surgi na rua, as duas acenavam os braços com muita euforia, pedindo que eu parasse. A menina me deu uma pequena bicicleta de ferro, na cor rosa, toda trabalhada com pedrinhas.
A mãe me contou o esforço da criança para comprar a bicicletinha e arrumar o presente com todo o carinho. Os meus olhos marejaram de emoção. Saí dali com uma alegria tão grande, mas tão grande, que me mantive feliz ao longo de todo o meu dia.
– Bom dia!