Desde a infância, em tenra idade, o bebê abre os olhos, movimenta a cabeça procurando as imagens e a familiarização com elas: o rosto da mãe, o seu calor, a sua fonte de alimento, os sons das vozes e de tudo que o rodeia.
As imagens, antes indefinidas, começam a ganhar contornos, detalhes e significados. Quanto mais estímulos recebe a criança, mais se amplia sua capacidade de observar e armazenar as informações necessárias para compreender o seu mundo em franca expansão.
A observação do modo como uma faculdade da mente funciona se estende por toda a vida, desde os primeiros tempos até o cessar do ciclo biológico.
Ainda menino, já observava atentamente as coisas ao meu redor: os detalhes da natureza, as expressões das pessoas, que muitas vezes revelavam, de forma intuitiva, seus pensamentos, e a maneira como os adultos se relacionavam.
O ímpeto de conhecer as coisas era como um verdadeiro vulcão em constante atividade e, e apesar da precariedade dos estímulos, minha busca pelo conhecimento era algo que eu não conseguia conter.
Quando descobri as letras e seus significados, tudo mudou em minha vida. Aquilo que eu não podia observar era preenchido pela imaginação e pela capacidade de pensar, que nutriam constantemente minha fome de saber.
Ao passar pela juventude, conquistei minha formação universitária, sem deixar de observar tudo aquilo que podia e devia observar.
Nos tempos atuais, constatei que há uma tendência comum de as pessoas relegarem a observação a um segundo plano. Em meio à dispersão geral, a informação abundante e recebida sem esforço pode penetrar nas mentes, inclusive na minha, se eu não estiver atento. Assim, muitas das capacidades da mente correm o risco de permanecer quase inoperantes.
A faculdade de pensar, que funciona de forma mais eficiente quando nutrida pela observação, tem sido, algumas vezes, terceirizada aos “oráculos” eletrônicos, que parecem saber tudo o que eu sei e muito mais, como se detivessem toda a informação do mundo. Com isso, a capacidade de observar, conhecer, armazenar e compreender pode acabar sendo reduzida a uma tarefa banal, sem o verdadeiro uso da faculdade de pensar.
Encontrei uma ciência que tem me auxiliado a posicionar-me e a desvencilhar-me de algumas armadilhas tecnológicas que podem afetar minha mente e minha capacidade de observar.
A Logosofia, como ciência do pensar consciente, modificou minha forma de compreender a observação, colocando-a em uma posição científica, destinada a cumprir sua alta finalidade em minha vida.
Observar por observar não cumpre nenhuma finalidade superior na vida. Porém, quando essa observação é consciente e seus resultados são utilizados para o aperfeiçoamento individual, ela cumpre uma finalidade superior: contribuir para que o ser humano desenvolva suas melhores capacidades e alcance novos níveis de compreensão e evolução.
No mundo corrente, em muitas situações, a observação acaba sendo empregada com uma finalidade crítica negativa, muitas vezes com o objetivo de depreciar uma pessoa ou alguma obra.
Tenho aprendido com a ciência logosófica que, à medida que observo para fora, devo também observar para dentro. Ou seja, preciso avaliar o que estou observando, quais movimentos mentais essa observação desperta e de que maneira ela pode me auxiliar a ser melhor.
Com a observação avaliada pela razão, ela cumpre uma finalidade útil, proveitosa e construtiva, ao contribuir para que eu me torne um ser mais consciente e conduza minha vida para um destino e um futuro melhores.