Vida

Terremotos internos e externos na vida

novembro de 2026 - 3 min de leitura
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Terremotos internos e externos na vida

novembro de 2026 - 3 min de leitura

Este ano, a Venezuela, país onde moro, foi sacudida por um duplo terremoto de alto grau de intensidade e complexidade, um fenômeno sem precedentes que ultrapassou qualquer imaginação. Prédios que desconsideraram as normas técnicas de construção e até mesmo aqueles que as seguiram, desabaram ou ficaram estruturalmente comprometidos, deixando marcas profundas: mortes, vítimas e pessoas desaparecidas.

Viver e observar o triste cenário de famílias atingidas, além de grandes estruturas físicas desabando, fez-me refletir não apenas sobre a fragilidade daquilo que construímos externamente, mas também sobre as estruturas que edificamos dentro de nós.

Fiquei pensando em quantas vezes permitimos que nossas próprias estruturas internas se fragilizem ou desabem diante dos abalos da vida, dando lugar a verdadeiros terremotos internos provocados por pensamentos negativos, conflitos e atritos na convivência humana.

 Assim como a terra firme treme, nossa mente também enfrenta seus próprios sismos. São os pensamentos negativos, as deficiências da nossa psicologia, as reações, as perdas, as contrariedades e os conflitos que testam a solidez do que guardamos no coração. Quando não temos controle sobre os nossos próprios pensamentos, ficamos à mercê de correntes externas, de opiniões alheias e de reações impulsivas que abalam a nossa estabilidade emocional.

Dias após o ocorrido, vivi uma experiência com familiares muito queridos, relacionada a uma profunda divergência de pontos de vista. Em outros tempos, essa situação teria sido o estopim para um “terremoto interno” em mim: uma discussão estéril, cheia de tensões e mágoas. No entanto, decidi aplicar um recurso que venho cultivando com muito empenho: a flexibilidade e a tolerância para reconhecer a razão do outro. É algo que venho aprendendo com o estudo e a prática da Logosofia em minha vida. 

Em vez de contra-atacar ou tentar impor a minha visão, escolhi acolher e respeitar o ponto de vista deles, sem precisar anular o meu. Essa mudança de atitude transformou o que poderia ser um embate em um momento de respeito mútuo e, acima de tudo, trouxe-me uma paz profunda. Percebi que a verdadeira fortaleza não está em vencer uma discussão, mas em manter a harmonia no próprio íntimo, assim como cultivar a gratidão pelos seres que fazem parte da minha vida e a quem me cabe honrar. 

Olhar ao redor e ver tantas mentes navegando na incompreensão, comoveu-me. Muitas vezes, a humanidade chora pelas perdas materiais e humanas, o que é perfeitamente legítimo; porém, esquece-se de olhar para as vítimas dos terremotos da alma, causados pela falta de recursos internos para governar a própria vida, diante do vazio espiritual que conduz à inércia.

Para superar a decadência de velhos hábitos de convivência, venho realizando um processo de aperfeiçoamento individual. Estou aprendendo a extrair o valor de cada experiência, por meio da vigilância sobre as oscilações do temperamento e da transformação do erro em acerto. É uma prática diária e consciente que permite construir uma “unidade interna”: um refúgio de serenidade e bom senso que não se deixa abalar por tempestades externas nem internas.

A reconstrução de uma sociedade e de uma humanidade melhores começa, sem dúvida, pela edificação desse novo mundo que construímos dentro de nós, no dia a dia. Ao forjarmos bases sólidas, fundamentadas no respeito e no amor, criamos alicerces sólidos e permanentes: uma boa construção sobre a terra mental da nossa vida!

E nos tornamos mais preparados, não apenas para resistir aos abalos da vida, mas também para estender a mão aos seres ao nosso redor e, juntos, transformar adversidades em oportunidades de triunfo, convivendo de forma serena e feliz.

Aquele que se propõe a construir um edifício necessita, para assegurar sua estabilidade e solidez, conhecer antes a firmeza do terreno sobre o qual levantará os alicerces, bem como a qualidade do material que empregará para levá-lo a cabo; com igual lógica podemos dizer que a obtenção de uma capacitação psicológica e mental, como a que a Logosofia demanda, deve basear-se na solidez à prova de observação do terreno mental e no conhecimento prévio dos elementos que haverão de integrar essa capacitação.

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