Crianças pequenas têm muita energia e um caráter em formação. Estão aprendendo a formar conceitos que orientarão suas vidas. Eis a grandiosa responsabilidade dos pais e educadores.
Dias atrás, meu filho estava pedalando sua inseparável bicicleta quando, de repente, perdeu o controle e acabou me “atropelando.”
Não reagi com gritos e choro. Cobri os olhos com as mãos e permaneci em silêncio, tentando conter a dor. Afinal, havia sido um acidente, e não me parecia correto nem justo transformar aquele momento em uma correção enérgica ao meu filho.
Ele ficou profundamente desconcertado. Aproximou-se, pediu desculpas repetidas vezes e demonstrou um sincero pesar pelo ocorrido. Enquanto isso, permaneci alguns instantes de cabeça baixa, respirando fundo e contendo os pensamentos de irritabilidade e brusquidão até que a dor diminuísse. Pouco depois, mais serena, me recompus, tranquilizei-o e seguimos o dia normalmente.
Alguns dias mais tarde, durante uma brincadeira nos corredores da escola, meu filho sofreu uma queda forte, ganhando um pequeno “galo” como lembrança do acidente. Ao chegar em casa, contou o ocorrido ao pai, que perguntou:
— E doeu?
— Muito, papai.
Então veio a segunda pergunta:
— E você chorou?
E ele respondeu:
— Não. Fiz igual à mamãe… Doeu, mas não chorei. Fui valente!
Ao ouvir aquele relato do meu filho, compreendi que os exemplos silenciosos talvez sejam os que mais ensinam.
Fiz algumas reflexões sobre a valentia, o equilíbrio e a colocação interna diante de si mesmo e das crianças.
Elas observam nossa conduta, nossos gestos cotidianos e, silenciosamente, aprendem mais com aquilo que fazemos do que com as palavras que pronunciamos.
A vida é feita de pequenas experiências, aparentemente comuns, que, sem aviso, transformam-se em grandes ensinamentos quando se está no caminho do aperfeiçoamento e da superação como ser humano. É isso que a Logosofia tem me ensinado.
