Tenho uma amiga que fazia um tratamento no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e sempre precisava de alguém para acompanhá-la. Numa dessas idas, estando eu de férias, ela me pediu para ir junto. Tomada de surpresa, disse-lhe que iria pensar. Ao dar-lhe essa resposta, senti algo dentro de mim me incomodar.
Buscando a razão de me sentir assim, observei que o que realmente me impedira de aceitar de imediato foi o pensamento de incomodidade. Veio à minha mente a ideia de como seria desconfortável viajar a noite inteira, dormir mal, sentada numa cadeira de ônibus… Enquanto esse pensamento de incomodidade argumentava sobre os desconfortos da viagem, veio à minha recordação que essa pessoa já havia se disposto a colaborar comigo quando precisei, em determinada circunstância da minha vida. Ela também não teve que deixar sua casa, a comodidade do seu lar, para me atender?
Senti que aquela era a oportunidade que eu tinha de corresponder ao bem que já havia recebido. Naquele momento, decidi ir com ela, mesmo percebendo a presença do pensamento. Tomar a decisão de acompanhá-la trouxe leveza ao meu interno, pois, apesar da atuação da deficiência psicológica, eu estava sendo mais forte.
Vieram em minha ajuda dois ensinamentos logosóficos:
Mantive, durante a viagem, a vigilância e a atenção sobre esse pensamento, para não permitir a manifestação da queixa. Decidi que deveria me sentir alegre, confortável e bem-disposta. Afinal, eu estava tendo, também, a oportunidade de passear e, por isso, tiraria o máximo proveito dessa viagem!
Observava com atenção todas as coisas que via. O melhor para mim foi andar de metrô! Eu não conhecia de perto esse meio de locomoção. Achei-o fantástico. Refleti sobre a grandiosidade de Deus ao conceder ao homem a inteligência para que, através da engenharia, pudesse suprir suas próprias necessidades e encurtar distâncias. O homem constrói túneis e anda embaixo da terra; constrói submarino e vai ao fundo do mar; constrói aviões e pode voar. E quantas coisas mais lhe são permitidas realizar para o bem da humanidade, usando sua inteligência!
Quando já estávamos retornando, experimentei a sensação de bem-estar e de gratidão por ter aproveitado aquela oportunidade.
Compreendi que me sentir cômoda em meio a uma incomodidade é fazer o que deve ser feito com boa vontade, boa disposição de ânimo e afeto, especialmente quando se está correspondendo a um bem recebido.