Em uma noite, ao chegar em casa por volta das 22h30, preparei um lanche, desconectei-me do celular e passei a observar o ambiente ao meu redor. Nesse movimento de atenção e presença, encontrei, em cada canto da minha casa, um motivo para experimentar uma terna gratidão a Deus pela minha vida.
Recordei-me da minha família e agradeci a Deus por todos os esforços que cada um havia realizado em prol do bem que hoje desfrutamos, e também por ter nascido na família em que nasci.
Em um determinado momento, olhei para o lado e comecei a observar um quadro. Era uma pintura feita pela minha avó Lêda.
Minha avó já faleceu e, enquanto convivemos, construí um vínculo especial com ela. A observação do quadro, naquele momento, fez com que eu enxergasse mais do que a dimensão física do objeto.
Como podem, efetivamente, ser eternos esses sentimentos? Quando eu morrer, por exemplo, como esses sentimentos irão se perpetuar ao longo do tempo?
Em minha mente surgiu a imagem da união dos tempos. Projetei um futuro em que já era idoso, tinha meus netos e nutria por eles os mesmos sentimentos que minha avó havia nutrido por mim. Mesmo com a idade avançada, experimentava a alegria de viver que aprendi com a vovó. Naquela projeção, buscava transmitir conscientemente esse valor aos meus familiares e conhecidos.
Foi assim que a simples observação do quadro da minha avó me fez compreender o que de eterno posso construir em minha vida e na vida das demais pessoas.
