Morei em uma cidade do interior de Minas Gerais e, aos 17 anos, mudei-me para a capital. Levava comigo a expectativa de encontrar, na cidade grande, um ambiente cultural que me oferecesse bases para orientar minha vida — especialmente por meio de peças teatrais que abordassem temas profundos. Buscava também, com afinco, livros de filósofos contemporâneos, além de artigos em revistas e jornais que pudessem ampliar minha ainda limitada cultura.
Entretanto, encontrei muito pouco — ou quase nada — que respondesse às questões que mais me inquietavam: Quem sou eu como ser humano? De onde vim? Para onde vou? O que existe após a morte? Como surgiu a Criação? Somavam-se a essas indagações duas aspirações centrais: compreender Deus e contribuir, de algum modo, para a solução dos problemas da humanidade.
Aos 19 anos, tomei conhecimento da existência de um pensador argentino, Carlos Bernardo González Pecotche, criador de uma ciência — a Logosofia — e de uma escola voltada ao estudo de seus ensinamentos. Disseram-me que seus livros poderiam oferecer respostas às minhas buscas. Aproximei-me, então, da Fundação Logosófica e inscrevi-me em um Curso de Informação.
Logo nos primeiros contatos, fiquei profundamente impressionado ao ouvir o expositor discorrer sobre as faculdades da inteligência: pensar, observar, entender, raciocinar, recordar, refletir e julgar, entre outras. Até então, eu jamais havia considerado a existência de tais recursos em mim, tampouco a possibilidade de desenvolvê-los de forma consciente.
Minha mente, antes envolta na escuridão, começou gradualmente a se iluminar com os ensinamentos logosóficos. Um dos acontecimentos mais marcantes desse início foi a descoberta de que existe, dentro de mim, um mundo no qual preciso aprender a viver: o mundo interno.
Ignorava que minha essência estivesse centrada no espírito individual e que, à medida que vai adquirindo maior participação em minha vida — na proporção em que avanço no conhecimento de mim mesmo, antiga aspiração humana —, abre-se a possibilidade de uma aproximação e de uma vinculação interna com Deus. Passei, gradualmente, a compreender e a sentir como Ele expressa Seu Pensamento por meio das Leis Universais que regem toda a Criação.
Um vasto manancial de conhecimentos foi-se descortinando, convidando-me não apenas a compreendê-los, mas também a assimilá-los e incorporá-los à vida prática. Mesmo com a noção inicial que tive dessa “Ciência da Vida”, percebi estar diante de uma singular oportunidade.
Já se passaram mais de cinco décadas desde então, período em que venho me beneficiando dos estudos logosóficos e atuando como colaborador voluntário da Fundação Logosófica, instituição fundada por González Pecotche, a quem dedico minha profunda gratidão. O extraordinário legado de conhecimentos que ele transmitiu o credencia, a meu ver, a ser reconhecido pela história como um dos maiores benfeitores da humanidade.