O conhecimento logosófico proporcionou-me a aquisição de um novo conceito sobre o que somos nós, seres humanos. Segundo o autor da Logosofia, o Criador dotou-me de duas naturezas: a física e a espiritual. A natureza física é constituída por um organismo biológico que funciona de forma perfeita, independente de minha vontade, e um mecanismo psicológico, constituído pelos sistemas mental, sensível e instintivo que, segundo a vontade do Criador, precisa ser conhecido e aperfeiçoado.
Segundo Carlos Bernardo González Pecotche, a natureza física é perecível, enquanto a natureza espiritual é imutável e eterna. Compreendo que é através do conhecimento, da organização e do aperfeiçoamento de toda essa estrutura psicoespiritual que realizo o processo de conhecimento de mim mesmo e, dessa maneira, alcanço prerrogativas que antes se mostravam inalcançáveis.
As duas naturezas cumprem funções específicas. A natureza física, que representa o fundamento material da minha existência, tem como finalidade o desenvolvimento da vida com base nas necessidades materiais. Portanto, limita-se à evolução das prerrogativas humanas nos aspectos materiais, psicológicos e intelectuais. Quando digo “se limita”, isso não significa que não seja um elemento de suma importância na vida.
Já a natureza espiritual, representada pelo espírito, transcende os aspectos comuns. Ela existe como uma entidade autônoma, com plena liberdade de ação, e tem a missão de adquirir conhecimento no mundo físico para evoluir e se perpetuar por meio de uma existência extrafísica. Quando falo em conhecimento, refiro-me a um saber que difere do comum – aquele que usamos para tornar a vida física mais cômoda. Trata-se de um conhecimento transcendente, hierarquicamente superior, que visa transformar-nos em seres verdadeiramente humanos. Este é o saber ao qual a minha natureza espiritual aspira; portanto, a natureza física deve se mobilizar em sua busca.
Diante do exposto, surge a inquietude: como alcançar o equilíbrio entre as duas naturezas? Como harmonizá-las?
Primeiramente, penso que devo articular as duas partes que me constituem de forma coordenada. Na prática, isso significa adequar a minha vida física às exigências da minha natureza espiritual. Que exigências seriam estas? Como dito, a natureza espiritual necessita do conhecimento transcendente para realizar a sua missão. Para isso, precisa participar da vida do ser que anima, absorvendo, e alimentando-se dos conhecimentos que o ser físico adquire e deposita na consciência.
Segundo a Logosofia, a natureza espiritual se manifesta no ser físico pela via do pensar e do sentir. Em consequência disso, entendo que a articulação entre as duas naturezas se inicia quando harmonizo o funcionamento dos dois sistemas mental e sensível. “Pensar o que sinto e sentir o que penso” é um ensinamento que precisamos praticar diariamente. A atuação conjunta desses mecanismos possibilita uma maior aproximação entre as duas naturezas.
Porém, surge outro questionamento: pensar e sentir o quê? Mais uma vez, entendo que devemos focar no que está além dos limites do mundo material. Pensar em mim mesma e na estrutura que me compõe, para me aperfeiçoar; pensar nos semelhantes, para estabelecer vínculos afetivos reais; e pensar nos processos que regem a Criação, para conhecer, amar e me vincular metafisicamente ao Criador.
Todos nós sabemos que o conhecimento amplia a vida. Mas foi ao reconhecer, em mim, uma natureza espiritual com prerrogativas que vão além dos limites do mundo físico que minha vida se transformou. Não apenas me libertei de algumas crenças inverossímeis, como também passei a viver cada momento – seja ele de alegria ou de dor – com um novo olhar.
Compreendi que cada experiência vivida tem um propósito. Nada nos acontece por acaso. Cada desafio, cada conquista faz parte de um processo maior.
Concluindo, sou um ser espiritual que se encontra conectado a um corpo físico para, ao vivenciar experiências na Terra, aprender com elas e, desse modo, realizar a sua missão: evoluir de forma consciente e tornar-se um servidor da humanidade.
