Recordo-me de quando era jovem e de quanto queria ser livre, exercer meu direito de usufruir da liberdade: a liberdade de ir aonde quisesse, de manifestar meus pontos de vista e de dizer o que me viesse à mente. Naquela época, porém, eu não tinha uma noção clara do verdadeiro conceito de liberdade, um conceito amplo que abarca diversos aspectos de nossas vidas, desde as dimensões social, moral, e econômica até a espiritual.
Para mim, liberdade significava fazer o que eu quisesse, desde que isso não gerasse consequências negativas a ninguém. Nesse contexto, a própria formação moral funcionava como um fator limitante da liberdade. Contudo, havia situações em que essa liberdade não era exercida de forma adequada . Tanto que, em muitas ocasiões, acabei dizendo coisas que gostaria de não ter dito e fazendo coisas que preferiria não ter feito.
O que acontecia para que a liberdade não encontrasse algo que a contivesse? E como isso me incomodava! Eu me sentia como se não fosse dono das minhas próprias ações.
Assim que iniciei meus estudos de Logosofia, tomei contato com muitos ensinamentos, mas houve um, em particular, que mudou o rumo da minha vida. Nele, o Mestre ensina:
“enquanto o homem continuar indiferente ao conhecimento básico do princípio mental – antes do Verbo foi a mente – e não se convencer de que os pensamentos são forças que atuam no mundo, dentro e fora de seu ser, não poderá se emancipar jamais da ação direta ou indireta deles sobre sua mente”. Coletânea da Revista Logosofia – Tomo 1, p. 9
Foi como se algo grandioso tivesse se descortinado diante de mim: um conhecimento aparentemente simples, mas que abria um portal para que eu pudesse exercer a liberdade em um espaço que antes desconhecia – o âmbito individual, o meu mundo interno!
Embora eventualmente eu já tivesse estabelecido algum diálogo interno, não tinha consciência de que era necessário exercê-lo com liberdade, sem a interferência de pensamentos que interrompessem o diálogo comigo mesmo. Essa foi, sem dúvida, a primeira grande descoberta da minha vida, pois abria a possibilidade de exercer o meu livre arbítrio com verdadeira liberdade.
Eu não poderia exercê-lo plenamente se todo o meu discernimento estivesse fundamentado em conceitos preconcebidos ou em crenças sobre as quais eu nunca tivesse tido a oportunidade – ou a coragem – de refletir livremente, questionando seus fundamentos e sua essência.
Quando cheguei a esse ponto, senti a falta de um elemento que faria toda a diferença no exercício da liberdade: o conhecimento de novos conceitos para confrontar aqueles que norteavam a minha vida.
À medida em que me internei no espaço dimensional do meu mundo interno, comecei a perceber que eu não era livre. Atuavam dentro de mim, sem que eu tivesse consciência de sua existência, inúmeros pensamentos que faziam o que queriam, indo e vindo de forma incessante. Foi então que, de posse de novos conhecimentos, passei a exercitar minha mente em busca de maior liberdade.
Primeiramente, procurei ser mais livre dentro de mim mesmo, pois descobri que era justamente nesse espaço que eu menos possuía liberdade e que mais influenciava a perda dela nos demais âmbitos da minha vida : o social, o moral, o econômico e o espiritual. Esses fatores mentais atuavam dentro de mim com total autonomia e, em momento algum, encontravam limites para sua atuação.
A partir do momento em que passaram a ser observados e interceptados em seus movimentos, diminuíram as situações que promoviam desgostos, instabilidades emocionais e prejuízos. Consequentemente, minha liberdade foi aumentando em cada um desses espaços da vida, nos quais desenvolvia minhas atividades diárias.
Um exemplo do exercício da liberdade foi a melhoria que conquistei na relação com meu pai.
Na adolescência e juventude, tínhamos muitos conflitos devido às visões diferentes sobre diversos aspectos da vida. No entanto, ao adquirir conhecimentos sobre a vida dos pensamentos, descobri a atuação de fatores internos que me faziam querer sempre ser “dono da razão”. Desde então, comecei a conter meus impulsos e a aprender a frear esses movimentos, para poder ouvir meu pai. Antes, esses impulsos me impediam de realmente escutá-lo, mantendo-me na posição de reiterar mentalmente meus próprios pontos de vista. Com o tempo, fui avançando e passei a ouvi-lo com atenção. Gradualmente, conseguimos encontrar um ponto de encontro em nossas visões, pois, independentemente das diferenças, ambos compartilhamos um objetivo comum: o bem-estar individual e coletivo.
Esta mudança me trouxe muito mais liberdade no convívio com meu pai e, pouco a pouco, foram surgindo as primeiras manifestações sensíveis, tão escassas até então. Progressivamente, foi brotando o verdadeiro amor entre pai e filho, pois, junto com a liberdade, vieram o respeito, a consideração e a gratidão por todos os esforços e imensos sacrifícios que ele e minha mãe fizeram para que chegássemos até onde chegamos.
Isso também nos permitiu encontrar a Logosofia, que transformou completamente não só a minha vida, mas também a da minha irmã, hoje docente desta magnífica ciência. A Logosofia nos capacita integralmente a exercer a liberdade em seu mais alto grau, na vida espiritual, permitindo-nos desempenhar o ofício sagrado de servir!
