Autoconhecimento

Ao mestre, com carinho

agosto de 2026 - 4 min de leitura
Autoconhecimento

Ao mestre, com carinho

agosto de 2026 - 4 min de leitura

Você tem razão! Tomei emprestado o título do filme estrelado por Sidney Poitier para contar o que significa para mim um mestre que ensina a viver melhor. 

A história do filme, lançado no final dos anos 60, gira em torno de um professor, que aceita o desafio de lecionar em uma escola de um bairro operário em Londres. A turma era composta de adolescentes rebeldes, determinados a expulsar o novo mestre.

O respeito, acima de tudo, foi a maior lição em sala de aula. Desde o primeiro dia, o professor tratou a todos com firmeza afetuosa e uma paciência marcada pela tolerância, enaltecendo o que via de melhor em seus alunos. Aos poucos, despertou virtudes e esperança, transformando não somente o ambiente na sala de aula, mas também a vida de cada um.

Lá pelo final dos anos 90, eu também conheci um mestre  que despertou em mim o gosto pelo saber. Um saber além do que aprendi em casa ou na escola: a oportunidade de experimentar uma nova vida, revendo crenças e preconceitos, erros e acertos, e conhecendo meus próprios pensamentos e sentimentos. 

Entre tantas instruções, ajudas valiosas, ensinamentos e conselhos oportunos, a lição mais importante foi – e continua sendo – voltar sempre o olhar para mim, procurando identificar o que tenho de melhor e o que posso aperfeiçoar.

Muitas vezes perdia o sono ou acordava agitada pelas manhãs, com tantos pensamentos em minha mente; alguns causavam grande confusão, e eu não conseguia me livrar deles. Vinham das preocupações, das coisas que tinha de fazer e dos problemas a resolver. E eu acabava não conseguindo fazer quase nada. Isso ainda acontece quando me distraio e não estou atenta ao que se passa na minha mente. 

Estou aprendendo a escolher pensamentos que realmente me ajudam a enfrentar as dificuldades e a encontrar, com mais calma, a melhor solução. Nem sempre aparece uma solução imediata. Observo que, às vezes,  aumento demais o tamanho dos problemas.

Recordo da mensagem afetuosa do Mestre: “A vida não deve ser colocada dentro dos problemas, mas os problemas dentro da vida”. Existem problemas na vida, mas a minha vida não é um problema. Devo tratar um problema de cada vez e escolher um pensamento por vez.

É um exercício difícil para mim e nem sempre dá certo, pausa do velho hábito de pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Como não sou de desistir à toa, insisto na técnica de ir eliminando os pensamentos que não servem para nada,  fortalecendo os que me levam adiante. Posso não ter uma solução definitiva no momento, como gostaria, mas a sensação de leveza me encoraja e sinto que posso me superar ainda mais.

Para melhorar minhas condições psicológicas naturais, tenho de ter a certeza de que esse pensamento de bem tem um lugar marcado na minha mente. Quando sinto a segurança de que ele está comigo, posso buscar a ajuda de outro. E assim, comprovando sua força, vou formando uma legião de pensamentos que me protegem, me fortalecem e favorecem a conquista de mais confiança em minhas decisões, serenidade nas atitudes e menos intolerância nas minhas reações.

Vou sentindo essa mudança interna à medida que vou corrigindo em mim, na minha mente, os erros e vícios que consigo identificar. Ao aceitar uma virtude como a paciência, por exemplo – já que experimento que ser paciente me faz mais feliz – dou força e consistência a esse pensamento. É como se o condensasse no meu coração e ele se transformasse em um sentimento, um pensamento mais elevado.

Estou aprendendo a conviver com valores permanentes, como querer com a mente e o coração. Quando quero com o coração, diminuo o risco de ser traída por maus pensamentos.

Sempre quis ser menos impulsiva, mais contida nas palavras e serena no trato com os demais. A seleção dos pensamentos que guardo comigo e que fazem com que eu seja como sou abre a possibilidade de mudar o que quero em mim. Não é simplesmente trocar um pensamento. É experimentar como me sinto quando sou menos impaciente, mais tolerante, multiplicando a suavidade e tantas outras virtudes que posso conquistar, mesmo que ainda não as tenha.

A sabedoria do mestre Raumsol, como chamamos carinhosamente o criador da ciência logosófica, vai muito mais além das palavras escritas aqui. Eu, que sempre busquei grandes resultados, estou gostando muito de valorizar os pequenos feitos, as pequenas porções de bem que penso, sinto e faço, para aprimorar, a cada dia, o saber cuidar e defender a minha própria vida, como ensina esse mestre.


Um pensamento de

 Zelinda Lucca
Zelinda é mineira, veio para Brasília na adolescência. É jornalista, viúva, tem 2 filhos e 1 casal de netos. Começou a estudar Logosofia em 98, na Fundação Logosófica de Brasília e atualmente é docente do CDIL do Lago Norte, em Brasília.

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