Quando eu era pequena, recebi uma educação rígida do meu pai. Tínhamos um modo de ser muito parecido e isso criava algumas rusgas entre nós e afetava um princípio essencial para a paz: o respeito.
Internamente, como criança, eu pensava: “Não gostei da forma como fui corrigida. Que absurdo um pai corrigir uma filha assim! Quando eu for mãe, jamais farei isso com a minha filha.”
Quando me tornei mãe, eu já tinha um plano de como faria as correções dos filhos: de forma serena e agradável, para que eles saíssem dessas conversas estimulados e “prontos” para melhorar seu comportamento.
Mas a realidade era muito mais difícil do que eu havia imaginado. E, em alguns momentos, não consegui manter meu propósito de corrigir minhas duas filhas de acordo com o meu plano.
Certo dia, vivi com as minhas filhas a seguinte experiência: estávamos numa área infantil, e os gritinhos das crianças começaram a ficar muito altos. Em determinado momento, uma senhora ficou bastante incomodada e isso causou uma situação desconfortável entre os presentes.
Observei que precisava corrigir minhas filhas, mas como fazê-lo?
Lembrei-me do recurso logosófico de fazer perguntas sobre o que havia acontecido.
Ao entrarmos no carro, disse a elas: “O que vocês observaram?” Dei a elas a oportunidade de reverem a própria conduta e perceberem que tinham desrespeitado aqueles que estavam ao nosso redor.
E, com facilidade, elas entenderam que os gritos haviam excedido o limite do razoável e que precisávamos cultivar mais respeito pelo ambiente, observando sempre se nossa conduta contribuía para o bem-estar dos demais ou se poderia incomodá-los.
Fiz com elas o exercício de se colocarem no lugar de cada uma das pessoas presentes e, assim, pensamos juntas em como poderíamos atuar melhor nas próximas vezes.
Aprendi que, para respeitar os demais e favorecer a paz, precisamos corrigir as crianças de modo que elas compreendam o porquê da correção, ajudando-as a planejar novas formas de se conduzirem na vida. E isso vale também para nós, adultos…