Por que é importante conhecermos os pensamentos e a sua classificação? 

Segundo o conhecimento logosófico, os pensamentos são entidades psicológicas animadas, que podem alcançar vida própria. 

Ou seja, são entidades animadas com forças psicológicas que vivem no mundo mental e que ao penetrar na mente humana podem alterar a conduta e levar o homem a realizar os seus propósitos. 

O ser humano tem a oportunidade de, com sua inteligência, conduzir essas forças, ou então ser conduzido por elas. 

Vamos ver o que a Logosofia diz sobre os pensamentos: 

Afirma serem entidades psicológicas que se geram na mente humana, na qual se desenvolvem e ainda alcançam vida própria. Ensina a conhecê-los, identificá-los, selecioná-los e utilizá-los com lucidez e acerto. Tais entidades psicológicas animadas constituem forças ativas de ordem construtiva a partir do instante em que ficam subordinadas às diretrizes da inteligência, ou seja, a partir de quando são submetidas, pelo processo de evolução consciente, a uma rigorosa fiscalização, que permite dispor delas a serviço exclusivo da inteligência. (Do Livro Logosofia Ciência e Método, pág.55 / 3)  

A Fauna Mental 

Vou usar agora uma imagem analógica para que a imagem fique mais clara. 

Pense no conjunto dos pensamentos como uma fauna, a fauna mental. Assim como o homem, ao longo do tempo, identificou, classificou e estudou cada animal para poder fazê-los colaborar no progresso da sociedade, nós podemos estudar, classificar e estudar os nossos pensamentos para o progresso do nosso mundo interno. 

Da mesma forma como temos animais que colaboram com a humanidade, fornecendo o seu leite, sua lã, sua força motriz para arar a terra, temos também aqueles que destroem a lavoura e que devoram os outros animais domesticados. 

Assim também ocorre com nossos pensamentos. Temos aqueles que nos ajudam a construir uma vida melhor e temos aqueles que têm como propósito destruí-la. 

Podemos observar na nossa vida os diferentes tipos de pensamentos. 

Alguns são dóceis e nos fazem trabalhar. Outros são ferozes e nos fazem brigar. 

Uns querem nos fazer comer demais. Outros nos levam a realizar saudáveis exercícios físicos. 

Alguns querem nos deixar na folgança. Outros nos levam pelo caminho do estudo. 

A grande descoberta que deve ser feita é que esses pensamentos são entidades vivas, que habitam em nossa mente. 

Nós somos diferentes deles. Nós podemos conhecê-los. Nós podemos controlá-los. 

Esse conflito entre as determinações da inteligência e os pensamentos que desobedecem essas determinações pode ser flagrado nos diversos momentos em que nós mesmos contrariamos os nossos propósitos. 

Quando prometo fazer uma dieta e acabo me alimentando de alimentos que não são adequados. 

Quando prometo estudar sobre um tema, mas dedico as horas que reservei para esse labor a outra atividade. 

Quando sinto que devo dedicar uma parte maior da minha vida a Deus e à evolução espiritual, mas não hierarquizo esse propósito. 

Classificação dos Pensamentos

A Logosofia apresenta em seu livro, Curso de Iniciação Logosófica, no rodapé da página 21, uma quádrupla e interdependente classificação de pensamentos, a saber: 

  1.  por sua origem, em próprios e alheios;
  2. por seu valor, em positivos e negativos;
  3. por sua natureza, em autônomos e em dependentes da inteligência e da vontade; 
  4. pela área mental de influência ou gravitação sobre a vida do ser, em intermitentes e dominantes ou obsessivos. 

Existem diversos ensaios já realizados na aplicação desse conhecimento. Vou trazer aqui a minha experiência. 

Normalmente, eu começo a analisar o que a Logosofia chama de “tempo de metade”, que são as diferentes vidas que a minha vida compõe. 

Uma delas é a vida em família, outra é a vida no trabalho, outra é a vida espiritual, outra é a vida com os amigos etc. 

Ao escolher uma dessas vidas, eu observo com  cuidado a minha conduta. 

Ao enfocar a vida do trabalho, por exemplo, posso destacar três pensamentos: 

Colaboração 

Planejamento 

Excesso de tolerância 

O pensamento de colaboração me leva a delegar e dividir tarefas. Ele gravou em mim, com muita força, a imagem de que a inteligência coletiva é muito maior e mais forte que a inteligência individual. Sempre estimulo a troca e que todos possam emitir sua opinião e ter voz. 

Se eu fosse classificar esse pensamento, eu o faria da seguinte forma: 

Origem: próprio. Eu criei esse pensamento durante muito tempo. No início era alheio e eu não sabia exercer o trabalho colaborativo. Depois, consegui criá-lo e usá-lo. 

Valor: positivo. Ele atua na construção e produção de algo. 

Natureza: dependente. Ele atua de forma dependente das determinações da minha inteligência e da minha vontade. Ele consegue se retrair quando percebe o abuso, por exemplo. 

Área mental de influência: dominante. Dentro da minha vida profissional, esse pensamento é um dos que rege minha atuação. 

Agora quero pegar o exemplo de um pensamento que tenho que superar, como o de “excesso de tolerância”. 

Esse pensamento me leva a aceitar que muitas atividades que não são da minha área ou que não devam ser assumidas por mim acabem vindo para a minha responsabilidade. Ele também me leva a aceitar erros frequentes e atuar para corrigi-los, sem enfatizar a importância de que todos façam seu trabalho adequadamente para a harmonia do fluxo de trabalho. 

A classificação desse pensamento fica da seguinte forma:

Origem: próprio. Ele se manifesta desde minha infância, possivelmente de origem congênita. 

Valor: negativo. Ele atua contra a harmonia e a construção de um ambiente de trabalho condizente e saudável. 

Natureza: autônomo. Ele atua de forma independente das determinações da minha inteligência e da minha vontade. Muitas vezes acontece a situação e ele se manifesta impedindo-me de não aceitar um abuso da outra parte. E quando quero vencê-lo, não consigo fazê-lo serenamente, o que muitas vezes faz com que eu perca a razão pela veemência e força desnecessária com que me manifesto. 

Área mental de Influência: intermitente. Ele não se manifesta a todo momento, mas algumas vezes quando o cenário do abuso se apresenta. 

Por que é importante conhecer e classificar os pensamentos?

A importância desse exercício é porque os pensamentos negativos e dominantes devem ser os primeiros a serem eliminados da mente. 

E nós fazemos isso utilizando a nossa faculdade de pensar, que é a capacidade que a mente tem de criar novos pensamentos. 

Sempre que vamos atuar, temos a opção de usar nossa vontade e selecionar o pensamento que será manifestado. Para que possamos superar um pensamento, temos que ter uma conduta alternativa ao mesmo. Caso não tenhamos usado nossa faculdade de pensar para criar uma outra conduta, não teremos saída:  iremos atuar com o antigo pensamento e, dessa forma, não poderemos aperfeiçoar nosso comportamento. 

No caso do pensamento de “excesso de tolerância”, devo criar o pensamento da justiça, da equanimidade. É preciso que eu crie no meu interno a imagem clara de que tanto a intolerância quanto a tolice são pontos extremos da reta da tolerância, e que o equilíbrio e o que é justo nas relações de trabalho devem imperar. 

Esse mesmo conhecimento pode ser aplicado em todas as áreas da vida. 

Convido você a buscar aquela parte que gostaria de superar, evoluir, e realizar esse importante exercício do Método Logosófico. 

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