Quando eu era criança, morávamos no meio rural, rodeados pela simplicidade da vida no campo e pela imensidão da natureza que nos envolvia.
Nesse cenário, minha mãe costumava chamar meu pai de “profeta.”
Naquela época, eu não compreendia bem o significado desse apelido tão especial, mas sentia que ele tinha algo diferente, algo profundo e fascinante.
Meu pai era um homem sereno e firme, autêntico em sua maneira de ser, que inspirava confiança em todos ao seu redor. Amava viver com intensidade, mas de forma tranquila, sempre conectado ao que realmente importava. Tinha uma relação com o Divino que não era distante nem inacessível, mas próxima e viva, como uma presença superior que guiava sua vida e seus passos.
Ele possuía uma sensibilidade única para ler os sinais da natureza. Era como se mantivesse um diálogo silencioso com o mundo ao seu redor. Sabia interpretar as rajadas avermelhadas nas nuvens, anunciando a chegada de uma friagem; entendia o significado do movimento acelerado das formigas, sinalizando a proximidade da chuva, e observava os ventos que sopravam para prever as tempestades que se aproximavam. Essas leituras iam além da simples observação: eram uma sintonia profunda com a essência da vida.
Esse dom era mais do que uma habilidade prática; era uma verdadeira sabedoria, um conhecimento intuitivo que vinha de um lugar muito profundo, talvez da própria essência do mundo ou mesmo de um contato real e cotidiano com algo superior.
Com os estudos logosóficos, comecei a compreender que o “profeta” a que minha mãe se referia não era apenas alguém que fazia previsões, mas um homem que vivia essa profecia no dia a dia, através da observação, cuidado e respeito pela natureza e pelas pessoas. Ele nos ensinava, com seu exemplo silencioso, a importância de estarmos atentos, de escutarmos com o coração e de vivermos em harmonia com a natureza e o mundo.
Com os estudos logosóficos, essa faculdade se desenvolveu, e quantas coisas descobri!
Sinto enorme satisfação em perceber que a faculdade da observação vem despertando e contribuindo para o meu processo de evolução consciente.
Já evidencio progressos significativos e de grande valor: aprendi que observar não é apenas olhar o que está fora, mas também perceber o que se move dentro de mim diante daquilo que vejo.
Hoje carrego comigo o legado do meu pai como uma luz que ilumina meu caminho. Seu modo de ser, sua serenidade, sua autenticidade e essa conexão profunda com a natureza, a vida e o Divino me inspiram a buscar uma escuta mais atenta da vida e dos sinais que nos cercam, para viver com mais presença, amor e consciência.
Ser profeta, afinal, é estar aberto para perceber o murmúrio da vida e traduzir essa linguagem do Criador para nós mesmos e para aqueles que caminham conosco.
Um chamado para viver a vida com valentia, sabedoria e o coração aberto.
E assim, meu pai, o profeta da natureza, permanece como uma fonte de força e inspiração em minha alma, lembrando-me de que, assim como a semente só germina quando a terra está atenta ao toque do vento e da chuva, o ser humano só desperta quando aprende a escutar com a alma o murmúrio da vida.
A natureza tem sua própria linguagem: fala por meio de sinais, e o homem que observa com consciência transforma esses sinais em sabedoria.
Ela é o primeiro degrau do conhecimento consciente; quem não observa, não vê, e quem não vê não pode ser consciente nem evoluir.