Você tem algum amigo com quem não fala há meses, mas o carinho e a vontade de estar perto continuam bem vivos?
Depois de compartilhar uma jornada inteira com uma amiga, dia após dia, da pré-escola ao diploma da faculdade, essa grande amiga e eu seguimos caminhos diferentes.
Hoje em dia, ela mora em outra cidade e eu a vejo uma vez por ano. Mas algo permanece intacto: a simpatia que resiste à distância e ao tempo. Simpatia que ainda cultivamos pela afinidade de ideias e gostos.
Mesmo longe, minha alegria aumenta quando recebo uma notícia feliz dela. E, quando sei de alguma dificuldade que esteja vivendo, tento levar-lhe algum elemento de bem, por meio de mensagens ou ligações. Observo que esse movimento é recíproco: ela também corresponde a esse sentir.
Todas as vezes que me recordo das gratas vivências com essa amiga, comprovo que a recordação equivale a sentir novamente o afeto, a paz, a alegria e o bem-estar que essas experiências proporcionaram. Você também experimenta isso quando se recorda de uma vivência feliz com um amigo distante?
Sem as recordações, o calor da amizade poderia se esfriar. Por isso, recordar o bem já experimentado mantém inabalável o fato que originou essa amizade e a história que juntas vivemos; assim, conservamos o sentimento.
Venho aprendendo com a Logosofia a valorizar os laços que resistem à distância e ao tempo, mas também a dar valor às pessoas que estão bem perto de mim.
Tenho outra amiga que mora na minha vizinhança e com a qual tenho muitas oportunidades de convivência. Mas nossa amizade se abalou diante de algumas situações difíceis. Ao tentar analisar as dificuldades que se somaram e geraram reações negativas entre nós, observei em mim o pensamento de listar primeiro várias dificuldades dela. Como é fácil é apontar o erro alheio!
Mais consciente, tratei de olhar para dentro de mim. Assustei-me quando refleti que essa amiga se dedicava mais à nossa amizade do que eu, de um jeito especial, ao qual eu não conseguia corresponder. Foi então que me recordei da origem da nossa amizade e dos anos de lindas experiências que vivemos. Então me veio à mente o que aprendi com a Logosofia: “o esquecimento é morte”. Por que eu estava deixando morrer algo tão lindo?
Procurei minha amiga. Convidei-a para sairmos depois de tanto tempo afastadas, e ela aceitou de imediato. Tentei estar mais consciente e observei: há simpatia entre nós? Comprovei que sim. Ainda havia entre nós confiança e respeito? Sim. Pensei nas nossas virtudes que se somavam e nas dificuldades que eu poderia superar para manter o nosso laço. Esta é uma amizade em plena recuperação.
Com os ensinamentos logosóficos, vou me fortalecendo e aprendendo a ser uma amiga melhor, mais conciliadora e construtora de vínculos mais felizes. Que alegria experimento!
Experimento também a amizade como uma forma maravilhosa de ser mais humana. Através da verdadeira amizade, posso me unir aos demais, oferecer o que tenho de melhor e também receber a parte que me falta e o outro possui. Penso e sinto a amizade como uma das bases de conduta que o ser humano deve cultivar para sua vida aqui neste mundo.
Às vezes me pergunto: como seria minha vida se eu não cultivasse as amizades? E como seria o mundo se não existissem os amigos?