Caro leitor,
Sou professora há 25 anos e trabalho com adolescentes. Você já pode imaginar o grande desafio que isso representa, não é mesmo? E, de fato, é um grande desafio.
No dia a dia de uma sala de aula com aproximadamente 25 alunos em cada turma, com idades entre 11, 12 e 13 anos, é uma tarefa desafiadora lidar com as diversas demandas da educação.
Concorrendo com os atrativos tecnológicos e com a inversão de valores, o professor tem que conseguir passar os conhecimentos exigidos pelo currículo. Porém, a minha preocupação com a educação sempre foi além do cumprimento de um currículo. Meu maior objetivo é colaborar para que cada aluno possa tornar-se um ser humano responsável, respeitoso com o outro, honesto, persistente nos seus sonhos e, claro, feliz!
Para isso, é importante que eu tenha uma conduta também pautada no respeito e no cuidado com esses alunos. Posso afirmar que sempre cultivei a paciência para alcançar esse objetivo. Todavia, por causa da minha rigidez, nem sempre conseguia ajudar de fato meus alunos a superarem atitudes que são próprias da adolescência, pois a maneira como eu abordava alguns comportamentos que precisavam ser corrigidos não era a mais eficaz.
Foi quando conheci a Logosofia!
Essa ciência me possibilitou descobrir uma nova forma de olhar para mim mesma e para o mundo à minha volta.
Desde então, com mais consciência e atenção, pude perceber que havia um jeito melhor de ajudar meus alunos. Em lugar de “pregar” sermões que apenas os aborreciam e acabavam afastando ainda mais os adolescentes de mim, busquei uma nova abordagem.
Há, na escola em que leciono, uma regra: o aluno que não fizer o dever de casa deve ficar na escola por um horário adicional para realizar a atividade pendente, e eu preciso cumpri-la, pois faz parte do regimento escolar.
Mas todos sabemos que o adolescente tem a tendência de não querer cumprir regras; por isso, sempre havia momentos de desgaste entre ambas as partes: o aluno e eu.
Um dia, aconteceu uma situação especial. No início da aula, confiro se todos fizeram o dever, passando de carteira em carteira. Nem preciso dizer que, geralmente, são os mesmos alunos que deixam de fazê-lo…
Foi então que, em vez de passar com meu carimbo, vistando os cadernos, resolvi perguntar quem havia deixado de fazer o dever. Queria ver a honestidade daqueles que costumavam dar algum tipo de desculpa.
Para minha surpresa, três alunos levantaram a mão e assumiram que não haviam feito a atividade. Perguntei a cada um deles o que sentiam todos os dias quando eu começava a andar pela sala para conferir os cadernos. E as respostas foram: “Eu começo a tremer”; “Meu coração dispara”; e “Eu sinto muita raiva”.
Perguntei, então, a esse último de quem ele sentia raiva: de mim, que além de passar o dever, também conferia quem o havia feito; da escola, responsável por estabelecer aquela regra, ou dele mesmo?
Nesse momento, o aluno ficou muito surpreso e me perguntou por que ele haveria de ficar com raiva de si mesmo. Pude ajudá-lo a refletir que se tratava de uma escolha feita por ele: a de não fazer o dever! E que aquela escolha resultava numa consequência: a de ter que cumprir um horário a mais na escola. E ainda lhe perguntei o que ele sentia ao ver todos os colegas indo embora enquanto ele permanecia ali.
Aprendendo com o estudo logosófico, estou colhendo muitos frutos com essa nova forma de corrigi-los. E esses frutos estão além das mudanças na conduta dos alunos, pois também se refletem nos benefícios que eu mesma posso sentir em minha vida.
Antes, eu saía exausta por causa de situações delicadas, que achava que me exigiam rigidez na correção. Agora, o que experimento é paz. É uma alegria saber que posso, através da enérgica doçura do afeto, contribuir mais para a formação desses adolescentes que, um dia, serão pais de adolescentes. E o que me deixa mais feliz é saber que poderão ser pessoas de bem e mais conscientes.
