Naquela seção do Tribunal de Justiça, nem todos apreciavam a maneira como o homem falava, com quem nem sempre era fácil manter uma conversa descontraída.
Algumas de nossas palavras eram interpretadas de maneira equivocada por ele, que fazia verdadeiros “malabarismos” linguísticos para associar o que dizíamos a termos e imagens de conotação libidinosa. Embora alguns apreciassem esse tipo de abordagem, dando, assim, para o colega “brincalhão”, outros se sentiam constrangidos e preferiam uma comunicação mais respeitosa e isenta de tais conotações.
Ao longo da História, diferentes visões distorcidas da sexualidade contribuíram para atribuir malícia às palavras e às relações humanas, rebaixando o nível de respeito na convivência.
O autor da Logosofia ensina: “Respeitar para ser respeitado: eis uma expressão que, por ser axiomática, se explica por si mesma.”
Optei, então, por realizar uma espécie de “asseio mental”, isto é, por cultivar um cuidado especial com o que entra na minha mente. Assim como cuidamos da aparência e do físico, também é necessário cultivar a mente.
Esse cuidado se revela no modo de pensar, falar e agir. Uma linguagem constantemente grosseira ou marcada por duplos sentidos reflete hábitos mentais que comprometem a qualidade das relações humanas.
Cultivar o “asseio mental” é contribuir para uma convivência mais saudável, digna e consciente, sendo um sinal inconfundível de respeito entre as pessoas.