Quando encontrei a Logosofia, estava em busca de algo que me ajudasse a conduzir minha vida com mais entendimento, porque tinha, por falta de conhecimento, uma convivência difícil com alguém indispensável para a minha vida: a minha mãe.
Em minha incipiência, eu a considerava o oposto do que desejava como mãe.
Eu não possuía conhecimento suficiente para perceber de verdade quem ela era e acreditava que não havia nada a que eu pudesse me apegar. Considerava que entre nós não existia um vínculo de afeto. Nutria mágoas e um sentimento de abandono. Perguntava-me o que poderia preencher aquele enorme vazio que eu carregava.
Ao iniciar os meus estudos logosóficos, comecei a recordar da minha mãe. O que eu tinha em minha recordação sobre ela? Essa pergunta foi crescendo e me incomodando cada vez mais…
Com o passar do tempo, meu sentir foi se abrindo para o afeto que poderia existir em meu coração diante dela, porém de uma maneira bem diferente daquela de tempos atrás, quando eu a idealizava. Desta vez, eu queria me aproximar dela. “Mas como?” – pensava.
Numa manhã de sábado, cheguei à sua casa e lhe dei um abraço. Ela ficou tão emocionada! Chamou-me para o quarto, abriu uma gaveta com chave e começou a me mostrar suas joias.
– Quero dá-las para você! – me falou.
Vi em minha mãe, uma mulher muito bonita, ainda com tanta dificuldade, como eu, para expressar coisas sensíveis…
Nesse momento, aproximou-se uma irmã que me disse que eu começava, enfim, a compreender o amor de minha mãe por mim, um amor que ela, por suas próprias limitações, não conseguia demonstrar de outra forma.
Tempos depois, minha mãe ficou em minha casa para fazer um tratamento de saúde. Tive a consciência de que, durante toda a minha vida, o que eu mais havia desejado era essa aproximação.
Fiquei tão próxima dela nesse período que mal conseguia acreditar. Não só me aproximei, mas também cuidei dela. Vivemos tudo com tanta generosidade! Eu pensava na importância daquela oportunidade e sentia uma alegria imensa por poder viver aquele momento ao lado dela. A cada dia, surgiam em mim mais paciência e gratidão por ela. O bom humor e muitos outros sentimentos também foram crescendo dentro de mim. Eu fazia o que era necessário com bondade e sensibilidade.
Tive a oportunidade de ouvir de minha mãe, embora ela estivesse com dor naquele dia, algo muito especial. Ela estava sentada na beirada da cama, puxou-me pela cintura, encostou a cabeça em mim e disse:
– Minha filha, como você é boa!
Assim como eu estava fazendo com ela, minha mãe conseguiu ver meu esforço e o que eu tinha de melhor.
Com a Logosofia, consegui me aproximar de minha mãe. E consegui fazer essa aproximação em meu interno, nesse espaço íntimo em que os sentimentos verdadeiros se manifestam; consegui fazer com que ela ocupasse um espaço bem maior dentro de mim. Era o que eu queria e o que eu necessitava para minha vida.
Guardo um sentimento maravilhoso de gratidão por ter alcançado essa grande realização.
