Outro dia, ao conversar com meu filho sobre seu comportamento, percebi que ele estava enfrentando dificuldades para cumprir os combinados que havíamos feito. Ele havia prometido manter-se mais atento, controlar seus impulsos e cooperar nas tarefas.
Eu vinha trabalhando com ele alguns conceitos da Logosofia, especialmente o da defesa mental: a importância de cultivar pensamentos bons, fortes e úteis, como pequenos “soldados de luz” que ajudam a proteger sua mente e a tomar boas decisões. Esse conceito consta do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, de Carlos Bernardo González Pecotche.
Quando o questionei sobre por que não estava conseguindo colocar isso em prática, ele me respondeu com total sinceridade:
Nesse instante, percebi a profundidade do que ele estava me dizendo. Ele não apenas havia compreendido a metáfora, como também a estava vivendo internamente.
Os conceitos que eu havia transmitido com empenho tinham encontrado afinidade em seu mundo interno, ainda que o resultado prático não tivesse sido o esperado. A correspondência havia se formado, mesmo que em meio a uma batalha mental difícil.
Senti, naquele momento, que era hora de fortalecer os “pensamentos soldados” com algo a mais. Disse a ele:
A resposta dele foi um reflexo da minha própria linguagem, da minha tentativa diária de aprender com generosidade e ensinar com amor e constância.
Esse pequeno episódio esboça de forma clara a Lei de Correspondência: tudo o que somos, pensamos, sentimos e fazemos encontra eco nas crianças, muitas vezes traduzido por elas em sua própria linguagem, por meio de imagens mentais simbólicas, mas carregadas de verdade. Elas nos escutam, nos observam e, acima de tudo, nos sentem.
E, quando educamos a partir da nossa própria superação, mesmo sem sermos perfeitos, a criança capta o esforço e responde com sua própria tentativa de se superar.
Ela corresponde não ao discurso, mas à intenção viva do exemplo. E, quando isso acontece, nasce uma ponte invisível entre o mundo interno do adulto e o mundo interno da criança.
