Comportamento

Resgatando o amor por minha mãe

outubro de 2026 - 4 min de leitura
Comportamento

Resgatando o amor por minha mãe

outubro de 2026 - 4 min de leitura

Quando encontrei a Logosofia, estava em busca de algo que me ajudasse a conduzir minha vida com mais entendimento, porque tinha, por falta de conhecimento, uma convivência difícil com alguém indispensável para a minha vida: a minha mãe. 

Em minha incipiência, eu a considerava o oposto do que desejava como mãe. 

Eu não possuía conhecimento suficiente para perceber de verdade quem ela era e acreditava que não havia nada a que eu pudesse me apegar. Considerava que entre nós não existia um vínculo de afeto. Nutria mágoas e um sentimento de abandono. Perguntava-me o que poderia preencher aquele enorme vazio que eu carregava. 

Ao iniciar os meus estudos logosóficos, comecei a recordar da minha mãe. O que eu tinha em minha recordação sobre ela? Essa pergunta foi crescendo e me incomodando cada vez mais…

Quando estudei sobre as deficiências psicológicas que eu trazia, aprendi a identificar o que devia combater dentro de mim (egoísmo, indiferença, impaciência etc.) e o quanto isso influenciava não apenas as minhas atitudes, mas também a maneira como eu pensava e recordava da minha mãe. 

Isso me trouxe ânimo para conhecer e criar o verdadeiro conceito sobre quem ela era, pois, até então, eu a via apenas no papel  de mãe, sem conseguir ver a mulher e o ser humano que existiam além desse papel.

Fiquei atenta ao que acontecia comigo e aos pensamentos que surgiam em minha mente. Percebi que precisaria ter muita valentia para mudar, porque esse era um passo importante, o meu maior anelo de superação.

Com o passar do tempo, meu sentir foi se abrindo para o afeto que poderia existir em meu coração diante dela, porém de uma maneira bem diferente daquela de tempos atrás, quando eu a idealizava. Desta vez, eu queria me aproximar dela. “Mas como?” – pensava. 

Numa manhã de sábado, cheguei à sua casa e lhe dei um abraço. Ela ficou tão emocionada! Chamou-me para o quarto, abriu uma gaveta com chave e começou a me mostrar suas joias. 

– Quero dá-las para você! – me falou.

Vi em minha mãe, uma mulher muito bonita, ainda com tanta dificuldade, como eu, para expressar coisas sensíveis… 

Com bondade, manifestei que estava compreendendo que, quando ela me dava algo, esse presente era uma representação do seu afeto; era a forma que ela encontrava de dizer que me amava. Ela consentiu. 

Nesse momento, aproximou-se uma irmã que me disse que eu começava, enfim, a compreender o amor de minha mãe por mim, um amor que ela, por suas próprias limitações, não conseguia demonstrar de outra forma. 

Tempos depois, minha mãe ficou em minha casa para fazer um tratamento de saúde. Tive a consciência de que, durante toda a minha vida, o que eu mais havia desejado era essa aproximação. 

Fiquei tão próxima dela nesse período que mal conseguia acreditar.  Não só me aproximei, mas também cuidei dela. Vivemos tudo com tanta generosidade! Eu pensava na importância daquela oportunidade e sentia uma alegria imensa por poder viver aquele momento ao lado dela. A cada dia, surgiam em mim mais paciência e gratidão por ela. O bom humor e muitos outros sentimentos também  foram crescendo dentro de mim. Eu fazia o que era necessário com bondade e sensibilidade.

Tive a oportunidade de ouvir de minha mãe, embora ela estivesse com dor naquele dia, algo muito especial. Ela estava sentada na beirada da cama, puxou-me pela cintura, encostou a cabeça em mim e disse: 

– Minha filha, como você é boa!

Assim como eu estava fazendo com ela, minha mãe conseguiu ver meu esforço e o que eu tinha de melhor. 

Com a Logosofia, consegui me aproximar de minha mãe. E consegui fazer essa aproximação em meu interno, nesse espaço íntimo em que os sentimentos verdadeiros se manifestam; consegui fazer com que ela ocupasse um espaço bem maior dentro de mim. Era o que eu queria e o que eu necessitava para minha vida. 

Guardo um sentimento maravilhoso de gratidão por ter alcançado essa grande realização.

Contudo, quando se estabelece a prudência, a discrição e a sensatez que o conhecimento logosófico recomenda, surge entre os familiares um novo cuidado, uma consideração e um respeito que permitem o bom entendimento de todos, até dos que não têm vínculos de parentesco próximo. Mas, como tudo requer um processo, se compreenderá que também, neste terreno, impõe-se uma realização. Assim, pois, cada um deve ser, em princípio, o dono de sua própria pessoa e, em sua casa, o dono do lar. Mas, para que a harmonia desse lar não seja perturbada pelo abuso dos que o frequentam, é necessário constituí-lo de tal forma que os demais percebam nele a melhor disposição para todos, compreendendo, ao mesmo tempo, que se é, em seu próprio lar, o único dono; que esse ambiente privado no qual vive é patrimônio exclusivo de sua vida; que, quando chega a ele, não é para escutar o que acontece em outros lares ou o que não convém à boa harmonia criada. Assim, se poderá desfrutar da placidez própria de todo lar bem constituído, e aqueles que o frequentam, parentes ou amigos, haverão de render-lhe a homenagem de respeito que terá sabido inspirar, desfrutando todos do mais grato dos ambientes, em franca e limpa cordialidade. Deste modo, é como se lavra uma paz permanente, como se vive bem com os demais e também quando se começa a compreender todos os erros cometidos anteriormente, ao refletir sobre as atuações passadas e seus resultados.
Introdução ao Conhecimento Logosófico

Introdução ao Conhecimento Logosófico

Ver mais

Um pensamento de

Você também pode gostar

Comportamento

Observando o mundo das crianças

Como aproveitar os momentos de brincadeira das crianças para aprender com elas? O que estes momentos podem nos ensinar sobre o cultivo do respeito? Neste vídeo, Maria Aparecida Dias relata como uma ...

Comportamento

Respeito: um dos grandes elementos da convivência humana

Como corrigir uma criança com respeito? Que recursos os pais podem utilizar? Neste artigo, Fernando Carneiro conta uma experiência vivida na infância em que, ao fazer algo errado, foi corrigido por...

Comportamento

O cuidado com a mente na convivência respeitosa

Qual a importância de cuidar das palavras e da própria mente na convivência pessoal? Neste artigo, José Dalmy Gama conta uma experiência vivida em seu local de trabalho em que foi necessário atu...