Você já sentiu que o relógio é o seu maior adversário? Entre os plantões, com a pressão constante de memorizar protocolos clínicos extensos e a montanha de livros da faculdade de medicina, a sensação de que falta tempo para respirar é quase crônica. Diante disso, como dar conta da rotina e ainda cultivar uma vida interna melhor?
Por muito tempo, carreguei um peso silencioso: uma vontade imensa de ser alguém mais sereno e equilibrado, que esbarrava sempre na mesma desculpa mental de que “agora não dá”. Eu acreditava intimamente que, quando me formasse, quando conseguisse a tão sonhada certificação ou quando a rotina ficasse mais leve, finalmente teria tempo para cuidar de mim mesmo. Notei, porém, que eu apenas acreditava em um futuro mais tranquilo, mas não sabia como construí-lo de fato no presente.
A Logosofia me despertou para uma realidade contundente: a crença nos paralisa. Ficar esperando o cenário ideal para iniciar uma mudança é uma armadilha que entorpece a inteligência. O saber, por outro lado, exige movimento prático. Mas como movimentar a mente em direção ao autoconhecimento quando mal se tem tempo para dormir?
Foi então que decidi fazer da própria urgência da rotina médica o meu grande laboratório experimental. Compreendi que observar os próprios pensamentos não exige horas de isolamento; é um exercício dinâmico que se realiza exatamente enquanto a vida acontece.
Se um pensamento de impaciência ou um cansaço extremo surge durante a madrugada de estudos ou no meio de um atendimento, já não o aceito de forma passiva. Uso a observação para identificá-lo e a razão para neutralizá-lo, recordando o propósito da profissão que escolhi.
Nessa jornada apressada, percebi que não estou sozinho e que contar com auxílio é fundamental. O convívio com o preceptor logosófico tem sido como um oxigênio vital. Sem me tomar horas preciosas, suas orientações iluminam meus pontos cegos, mostrando que a sensação de falta de tempo, muitas vezes, é fruto de uma desorganização mental alimentada por pensamentos de ansiedade.
Hoje, não espero mais o momento perfeito. Coloco a ciência logosófica à prova nos corredores, nas tomadas de decisão rápidas e nos momentos de esgotamento. A cada vez que consigo substituir a irritabilidade pela lucidez e pela serenidade, a crença cega de que “um dia serei melhor” se desfaz. Em seu lugar, nasce o saber real e incontestável de que a mudança já está acontecendo.