Autoconhecimento

O Afeto que Transforma: Uma Nova Herança para Minha Família

maio de 2026 - 2 min de leitura
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O Afeto que Transforma: Uma Nova Herança para Minha Família

maio de 2026 - 2 min de leitura

Na minha família de origem, nunca houve  muitas demonstrações de afeto. Os filhos acabaram herdando uma certa frieza nas interações do dia a dia. Havia grande dificuldade em gestos simples, como abraçar, dar um beijo no rosto ao cumprimentar ou dizer palavras como “eu te amo”. Além disso, muitos ressentimentos não eram verbalizados, permanecendo guardados no interno.

Depois que comecei a estudar Logosofia, deparei-me com um ensinamento que foi uma chave para mim:

O afeto é o grande poder que persuade, que atenua os ressentimentos e perdoa; é o que suaviza os golpes da adversidade e elimina os efeitos perniciosos de todas as discórdias. O Senhor de Sándara, p. 447.

Com essa resolução em mente, decidi experimentar algo diferente com meus familiares: todas as vezes que chegava a  um ambiente onde eles estavam,  cumprimentava cada um com um afetuoso abraço e um beijo. Passei também a dizer mais “eu te amo”. 

No início, não era natural, e todos estranhavam. Não retribuíam os abraços; um, em particular, reagia se afastando e reclamando. Aos poucos, porém, as reações foram  diminuindo, e eles começaram a receber esse pequeno gesto de bom grado. Até que, certo dia ao chegar, esqueci de abraçar justamente aquele que mais resistia – e ele reclamou: “Ué, cadê meu abraço?” . Então, veio até mim e me abraçou. 

Guardo este momento no coração e, sempre que o recordo, meus olhos se enchem de lágrimas. Hoje, as demonstrações de afeto entre nós são constantes. Todos recebem meus abraços e beijos com alegria e até respondem ao meu “eu te amo” com um “também te amo”. Os abraços já não são mais superficiais; são mais demorados, e consigo sentir o amor que brota de cada um nesses momentos.

Esse exercício começou com um singelo abraço, mas foi se expandindo. Houve uma vez que minha mãe viajou para visitar  suas irmãs no sul do país. Meu irmão a levou ao aeroporto e, na volta, fiz questão de buscá-la. Incentivada pelo meu esposo, comprei uma orquídea para presenteá-la. 

Fiquei aguardando sua saída no saguão com minha filha, ainda de uniforme escolar, segurando aquela orquídea nas  mãos. Foi um momento memorável ver um sorriso que mal cabia em seu rosto quando me viu com a flor. Um pequeno gesto, mas que levou um pouco do amor que sinto por ela –  e a deixou muito feliz. 

Estou aprendendo a trocar essa herança de escassez por uma outra melhor, mais rica de afeto, e sinto uma profunda gratidão a González Pecotche por me ensinar que, por meio de uma conduta transformada conscientemente, posso colaborar para desfazer ressentimentos e discórdias, cultivando o afeto e conduzindo minha família, gradualmente, a uma convivência mais feliz.  .


Um pensamento de

 Ana Carolina Fernandes Maciel
​​Ana Carolina, professora na Universidade Federal de Uberlândia, nasceu em Toledo, PR.  Estuda e é docente da Fundação Logosófica desde 2019.​ 

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