Como ser uma médica humanista e ética?
Sempre julguei que sabia viver a minha vida e que meus valores eram adequados para um ser humano que vive em sociedade.
Estudando Logosofia, porém, descobri que existem princípios que obedecem às Leis Universais, manifestações do Pensamento do Criador. A partir de então, comecei a observar que a moral e a ética que eu praticava obedeciam apenas aos princípios estabelecidos pela medicina e pela sociedade.
Quão afastada eu estava da realidade universal, longe do conceito real de ser humano! Meus conceitos sobre moral e ética precisavam evoluir!
Minha realidade profissional começou a mudar com esses conhecimentos.
Vivo muitas experiências lindas em meu consultório, como pediatra e médica orientadora da família.
No início do exercício da profissão, tudo me parecia difícil, às vezes até pesado e rotineiro, desprovido da oportunidade de fazer da medicina o rico campo experimental que ela poderia me oferecer para aperfeiçoar-me como ser humano.
Recentemente, recebi em meu consultório uma criança com leve atraso no desenvolvimento. Depois de examiná-la, manifestei que aquele atraso precisaria ser avaliado por um neurologista. No mesmo instante, veio a contestação: “A doutora está falando que meu filho é autista?”. Na verdade, os pais já sabiam do diagnóstico, mas recusavam a aceitar a realidade do filho.
E o que eu deveria fazer diante daquela situação?
A humanização na saúde é um conceito construído por relacionamentos interpessoais de qualidade, que abarca questões estruturais e éticas. Ela parte de um olhar diferenciado em relação ao paciente, enxergando-o como um ser humano completo, que necessita de acolhimento para que a recuperação ou o tratamento seja satisfatório.
Nesse momento, ao recordar os estudos logosóficos sobre a sensibilidade e os sentimentos, minha essência humana, naturalmente sensível à dor e ao sofrimento do outro, manifestou-se com serenidade. Pude compreender que a raiva e frustração dos pais eram, na verdade, expressões da dor e do sofrimento que vivenciavam.
Com afeto, disse a eles que éramos responsáveis pelo futuro daquela criança e expliquei que, se o diagnóstico se confirmasse e o tratamento fosse iniciado com profissionais especializados, ela poderia superar muitas limitações. De forma sensível, disse-lhes: “Vocês podem proporcionar um futuro melhor para seu filho, e eu vou ajudá-los…”
Para mim, ficou evidente, ao viver essa experiência, que o valioso conhecimento que adquiri com a Medicina não pode ser praticado apartado dos grandes sentimentos, como o afeto, a gratidão e o respeito, que representam as excelências morais do ser humano.
Comprovei que, para atuar de forma mais elevada, os meus conhecimentos médicos sejam enriquecidos com valores morais e permanentes, que são a riqueza do nosso mundo interno.