— Dá seta, mulher!
— Opa, eu? – assustei-me.
Aquele alerta, em tom áspero, me incomodou. O motorista aguardava sua vez na rotatória, a mesma pela qual passo várias vezes ao dia. Naquele momento, eu estava indo buscar meu filho na escola.
No primeiro instante, minha reação foi de contrariedade:
— Puxa, que grosseria… Não precisava gritar assim.
Recordando, porém, o meu propósito de superar-me sempre, comecei a pensar: “Será que ele pode estar certo?”. De fato, eu não havia dado a seta para a esquerda, indicando que continuaria na rotatória, mas… eu deveria ter dado?
De imediato, não consegui me recordar das leis de trânsito para aquela situação. Porém, se ele se incomodou, outras pessoas também podem se incomodar. Eu também não gosto de ficar esperando sem saber se o outro vai continuar ou sair da rotatória.
Nesse momento, assumi e tomei para mim a responsabilidade por aquilo que me caberia fazer. Dei aquele sorriso interno, com a satisfação de ter entendido que realmente poderia estar errada, e comecei a usar minha energia para dissipar o estado interno que, inicialmente, havia me levado a uma reação negativa. Não havia mais espaço para me chatear com o motorista. Pelo contrário: até lhe pedi desculpas internamente.
Esse acontecimento me levou a refletir sobre muitos outros aspectos da minha vida, nos quais eu sempre encontrava justificativas para os meus erros, banalizando-os e me isentando de qualquer responsabilidade por eles.
Desde então, cada vez que passo por essa rotatória, recordo-me do episódio e, naturalmente, dou a seta!
