Aconteceu em 7 de setembro do ano passado. Após assistirmos ao desfile cívico, seguimos para o shopping center em busca de um momento de lazer em família.
Na praça de alimentação, acontecia a inauguração de uma loja de cookies. Muitos balões vermelhos e azuis enfeitavam o local, atraindo, de imediato, a atenção do meu filho de seis anos. Encantado, ele me pediu:
— Mamãe, eu queria um balão.
Respondi com naturalidade:
— Pergunte a algum atendente se eles podem te dar.
Ele, ainda tímido, aproximou-se do balcão — que era mais alto do que ele — e voltou logo, decepcionado:
— Eles não me veem, sou muito pequeno. Vamos até lá comigo?
Insisti:
— Vá até o outro lado; o campo de visão é melhor.
Tentou novamente, mas não foi notado. Retornou cabisbaixo e pediu de novo:
— Vamos até lá comigo, mamãe?
Olhei ao redor e percebi, fora do balcão, um jovem rapaz que parecia o dono ou o gerente do estabelecimento. Sentado em uma banqueta, distraído no celular, parecia alheio à movimentação. Apontei a direção:
— Está vendo aquele moço? Peça a ele um balão.
Meu filho, decidido, aproximou-se e perguntou com inocência:
— Moço, você poderia me dar um balão?
O rapaz suspendeu o olhar do aparelho, sorriu e não lhe deu apenas um, mas dois: um azul e outro vermelho. Meu filho agradeceu, saiu aos pulos, feliz com o presente. De longe, acenei em agradecimento ao rapaz.
Ele caminhava alegremente com um balão em cada mão. Ao nos aproximarmos das escadas rolantes, uma criança de aproximadamente um ano e meio começou a apontar, entusiasmado, para os balões, balbuciando os sons da sua linguagem ainda nascente.
Prontos para descer, meu filho se deteve, olhou para a criança desconhecida e perguntou:
— Você quer um balão?
O pequeno assentiu com a cabeça. Sem hesitar, meu filho estendeu a mão e lhe entregou um dos balões. O pai da criança agradeceu a gentileza.
Descemos as escadas e, emocionada, elogiei a atitude bondosa dele. Mais tarde, comentei o episódio com meu marido, que também valorizou sua conduta.
Muitos ganharam naquele dia — não apenas um balão, mas a oportunidade de observar um gesto simples que demonstrava que o propósito de fazer o bem é algo natural para uma criança.
No livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, o autor da Logosofia ensina que: cada um deve cultivar o bem dentro de si mesmo. Este é o maior de todos os bens por constituir-se em uma fonte capaz de prodigalizar ao semelhante o que ele necessita.
Tanto a bondade quanto a generosidade são bens que, quando compartilhados, multiplicam-se e permanecem na vida das pessoas.