Comportamento

A generosidade em forma de balão

novembro de 2026 - 3 min de leitura
Comportamento

A generosidade em forma de balão

novembro de 2026 - 3 min de leitura

Aconteceu em 7 de setembro do ano passado. Após assistirmos ao desfile cívico, seguimos para o shopping center em busca de um momento de lazer em família.

Na praça de alimentação, acontecia a inauguração de uma loja de cookies. Muitos balões vermelhos e azuis enfeitavam o local, atraindo, de imediato, a atenção do meu filho de seis anos. Encantado, ele me pediu:

— Mamãe, eu queria um balão.

Respondi com naturalidade:

— Pergunte a algum atendente se eles podem te dar.

Ele, ainda tímido, aproximou-se do balcão — que era mais alto do que ele — e voltou logo, decepcionado:

— Eles não me veem, sou muito pequeno. Vamos até lá comigo?

Insisti:

— Vá até o outro lado; o campo de visão é melhor.

Tentou novamente, mas não foi notado. Retornou cabisbaixo e pediu de novo:

— Vamos até lá comigo, mamãe?

Olhei ao redor e percebi, fora do balcão, um jovem rapaz que parecia o dono ou o gerente do estabelecimento. Sentado em uma banqueta, distraído no celular, parecia alheio à movimentação. Apontei a direção:

— Está vendo aquele moço? Peça a ele um balão.

Meu filho, decidido, aproximou-se e perguntou com inocência:

— Moço, você poderia me dar um balão?

O rapaz suspendeu o olhar do aparelho, sorriu e não lhe deu apenas um, mas dois: um azul e outro vermelho. Meu filho agradeceu, saiu aos pulos, feliz com o presente. De longe, acenei em agradecimento ao rapaz.

Ele caminhava alegremente com um balão em cada mão. Ao nos aproximarmos das escadas rolantes, uma criança de aproximadamente um ano e meio começou a apontar, entusiasmado, para os balões, balbuciando os sons da sua linguagem ainda nascente.

Prontos para descer, meu filho se deteve, olhou para a criança desconhecida e perguntou:

— Você quer um balão?

O pequeno assentiu com a cabeça. Sem hesitar, meu filho estendeu a mão e lhe entregou um dos balões. O pai da criança agradeceu a gentileza.

Descemos as escadas e, emocionada, elogiei a atitude bondosa dele. Mais tarde, comentei o episódio com meu marido, que também valorizou sua conduta. 

Meu filho, em nenhum momento, demonstrou arrependimento pela doação. Foi um gesto espontâneo; o ato brotou de dentro dele, fruto de valores já assimilados em sua curta experiência de vida.

Assim como um balão, o bem recebido enche a alma de alegria e leveza. Mas, quando compartilhado, não diminui quem doa: multiplica-se, como a chama de uma vela que, ao acender outra, não perde o brilho, mas o expande.

Tenho aprendido com a Logosofia que o bem só cumpre sua função quando é expandido, compartilhado, e que não deve morrer em mim. 

Muitos ganharam naquele dia — não apenas um balão, mas a oportunidade de observar um gesto simples que demonstrava que o propósito de fazer o bem é algo natural para uma criança.

No livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, o autor da Logosofia ensina que: cada um deve cultivar o bem dentro de si mesmo. Este é o maior de todos os bens por constituir-se em uma fonte capaz de prodigalizar ao semelhante o que ele necessita.

Tanto a bondade quanto a generosidade são bens que, quando compartilhados, multiplicam-se e permanecem na vida das pessoas.

Naquele dia, senti gratidão ao perceber que estou conseguindo transmitir ao meu filho a importância de cultivar valores permanentes para a vida.

Portanto, cada um deve cultivar o bem dentro de si mesmo. Este é o maior de todos os bens por constituir-se em uma fonte capaz de prodigalizar ao semelhante o que ele necessita.
Introdução ao Conhecimento Logosófico

Introdução ao Conhecimento Logosófico

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Um pensamento de

 Jane Elisabete de Faria Lemos
Jane Elisabete de Faria Lemos nasceu em Itaúna-MG, casada, mãe de um filho. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Itaúna, técnica em Metalurgia pelo SENAI, empreende nos dias atuais em atividades no meio rural, entusiasta das escritas e tem ampla atuação no terceiro setor. Estudante no Centro de Estudos Logosóficos de Divinópolis- MG (residente Itaúna-MG), desde abril de 2023.

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