Sociedade

Você é simpatico?

janeiro de 2025 - 3 min de leitura
Sociedade

Você é simpatico?

janeiro de 2025 - 3 min de leitura

Minha mãe contou-me que, quando era ainda adolescente, viveu a seguinte experiência: Sua irmã mais velha tinha ido ao cinema com o namorado, sem a permissão do pai delas — meu avô. Isso, naquela época, anos 40, era muito desaprovável e implicava sofrer reprimendas do poder paterno. Meu avô, ao perceber a iniciativa da filha, trancou a porta de casa, para poder abri-la pessoalmente quando ela chegasse. Minha mãe ficou na sala e, ao perceber a chegada da irmã, ouviu sua voz pedindo através da fresta da porta: “Abre a porta, eu ‘tô te vendo, abre…” Minha mãe, sabendo que o pai estava só esperando por isso, ficou imóvel na poltrona. E a irmã insistindo: “Abre a porta, abre …Eu ‘tô te vendo, antipática…” Meu avô então abriu a porta e não teve dúvidas em reprimir e castigá-la pela atitude que considerava desrespeitosa.

O que ficou desse episódio no imaginário da família, entretanto, foi a expressão de minha tia: “Eu ‘tô te vendo, antipática….”

Por quê consideramos alguém antipático? Parece-me que os seres e as coisas, de modo geral, dividem-se nessas duas categorias: simpáticos e antipáticos. Seres e coisas pelos quais somos atraídos ou que causam repulsa e deles nos afastamos.

Por que os amigos que fazemos na infância e na adolescência costumam perdurar ao longo dos anos? Quando encontramos esses amigos, comprovamos que a mesma simpatia que nos aproximou naquela época persiste, fortalecendo ainda mais nosso vínculo de amizade.

Dá a impressão de que na infância e adolescência somos mais naturais e de que nossas atitudes e comportamentos são movidos por sugestões e causas mais internas do que externas. As tradições, os preconceitos e extremismos impregnados de violência, que dominam nossa cultura hoje em dia, não têm tanta força na fase da infância. O pequeno ser que já fomos um dia, essa criança interior, inspirava simpatia; atraía e era atraído pelos semelhantes. As amizades estabeleciam-se com mais naturalidade e frequência, já que elas são fundamentadas na simpatia, no respeito e na confiança que inspiramos nos demais.

A simpatia é uma poderosa força de atração e uma fonte geradora de afeto, representando uma parte do amor da qual já temos consciência.

No estudo da física e da termodinâmica, aprendemos que existem duas forças no universo: a entropia, que mede a desordem de um sistema, e a entalpia, que mede a quantidade de energia de um sistema. Se um sistema é fechado, sem conexão com outros, ele tende a aumentar sua entropia, ou seja, sua desordem, e a diminuir ou perder toda a energia, tendendo ao caos. Num sistema aberto, com muitas conexões, isso é mais difícil de acontecer. Então, se tomarmos esses conceitos da termodinâmica como analogia, a simpatia seria uma força contrária à desagregação e à desordem. Seria como que a alavanca da própria vida, que requer uma enorme quantidade de energia para manter sua organização, sua ordem e seu equilíbrio intactos —

sua sintropia.

Assim como no mundo físico, existem no mundo metafísico — mundo das idéias e concepções superiores — forças que mantêm o equilíbrio e a ordem dos movimentos. A simpatia é uma delas, ajudando-nos a manter nossas amizades duradouras e eternas.


Um pensamento de

Você também pode gostar

Sociedade

A responsabilidade que temos frente à humanidade

Estamos vivendo em um mundo conturbado. Mas, por onde começar a mudar o mundo? É possível traçar um diagnóstico favorável para as gerações futuras? Neste vídeo, as estudiosas de Logosofia And...

Sociedade

Como é sentir que tenho um mestre de sabedoria?

Neste vídeo, Gisela Machado expõe sua ligação com seu mestre de sabedoria, González Pecotche, o Mestre Raumsol, criador da Obra logosófica. Partindo dos resultados colhidos ao aplicar o método ...

Sociedade

Você está comprometendo seu futuro?

Você já se deparou com alguma situação em que percebeu subitamente que seu futuro estava comprometido por algo que não queria para si? Neste artigo, Luciana Fleischhauer faz valiosas reflexões s...