Vida

Os mestres que existem e aquele que escolhi

agosto de 2026 - 3 min de leitura
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Os mestres que existem e aquele que escolhi

agosto de 2026 - 3 min de leitura

Quando eu era criança, sentia uma inclinação natural a defender minhas professoras do colégio. Não conseguia compreender como alguns de meus colegas podiam fazer críticas ao seu comportamento. Para mim, elas se encontravam em outro patamar.

Essa incompreensão diante das críticas aos docentes me acompanhou ao longo da vida e, na faculdade, tornou-se ainda mais forte. Eu via alunos comentando sobre a voz, a postura, o domínio do conteúdo e até a cor das vestimentas dos professores, e ficava sem entender o porquê. 

A essa altura, eu já sabia que nem todos os professores eram dignos da maior consideração. Ainda assim, mantinha em mim esse pensamento de valorizar seus esforços.

Certo dia, conversando com um desses colegas, ele me disse que não gostava de mestres. Contou-me que havia tido, na infância, um professor que determinava tudo que ele deveria fazer e que o castigava caso não o obedecesse. Em suma, acreditava que seguir simplesmente o que o mestre havia dito poderia nos levar a muitos erros. Percebi que se tratava de uma preocupação real. 

Existem no mundo diversas pessoas que se intitulam mestres, gurus ou coaches. Segui-las significa, muitas vezes, conceder-lhes parte da autonomia sobre a nossa vida. Quantos não acabam dependendo desses supostos “mestres”?

Ao chegar à idade adulta, foi ficando evidente para mim que a obediência cega, ou seja, a submissão sem questionamentos, gera de fato grandes prejuízos à liberdade do ser humano. 

Se eu não sei por que estou obedecendo, como posso garantir que o resultado dessa obediência será realmente bom? 

Quantas não foram as vezes em que, crendo cegamente em algo que algum professor me disse, deixei de refletir e cometi erros? Se é assim, por que mesmo devo obedecer? E a quem devo obediência?

A História nos mostra o que ocorre quando esses princípios não estão presentes e quando muitos obedecem sem saber o motivo. Mas logo descobri que não precisava ser assim, pois fui apresentada a um novo mestre. No início, achei que ele tinha certeza demais. Como eu poderia saber se aquilo que ele dizia era certo ou errado? 

Diferentemente de todos os outros, no entanto, esse mestre tinha uma premissa muito clara: em vez de acreditar no que ele dizia, eu deveria aplicar na minha vida o que ele ensinava e comprovar por mim mesma se era verdade.

Ao longo das últimas duas décadas, portanto, venho aplicando o que esse grande mestre se propôs a ensinar. E descobri um conceito muito superior de obediência: o de que ela só deve ocorrer quando o que vou obedecer está sujeito a princípios de disciplina e de bem. 

Embora eu tivesse cultivado esse verdadeiro apreço pelos docentes, vivo algo diferente em relação ao mestre de sabedoria que escolhi seguir. Com seus ensinamentos, fui transformando em mim as características que não me agradavam. Aprendi a obedecer a mim mesma, aos meus propósitos, às minhas aspirações, ao meu espírito.

Ter um mestre de sabedoria me fez uma pessoa mais tranquila, paciente e constante, e me trouxe a confiança de estar pisando em solo firme. 

Ele me colocou no caminho seguro do conhecimento de mim mesma e tem me ensinado a pensar, refletir e decidir por mim mesma a quem devo obedecer.

Estou no mundo como os demais homens da Terra e, da mesma forma que a eles, me foi dada a oportunidade de conhecer, incursionando em todos os ambientes, tudo o que possa interessar a meu propósito, a meu propósito de bem, que é a grande obra de superação humana que venho realizando.
Introdução ao Conhecimento Logosófico

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