Quando olhamos para a história da humanidade, temos a nítida sensação de que em diferentes épocas, existiram seres muito mais avançados do que a média dos homens de seu tempo.
Ao contemplar a civilização egípcia e os ensinamentos atribuídos a Hermes Trismegisto, percebemos que eles compreenderam aspectos da existência que, mesmo após milênios de desenvolvimento material, ainda buscamos entender plenamente.
Basta pensarmos nas pirâmides do Egito. Apesar de todo o avanço tecnológico do século XXI, ainda nos surpreendemos com o conhecimento, a precisão e a visão que tornaram possível sua construção. Evoluímos extraordinariamente no domínio da matéria, mas isso não significa que tenhamos compreendido tudo o que aqueles antigos sábios conheciam.
O mesmo acontece quando entramos em contato com os ensinamentos de Zoroastro, na antiga Pérsia; de Orfeu, na Grécia; de Confúcio, na China; ou de Jesus, na Palestina. Temos a impressão de estar diante de consciências muito mais avançadas do que a média da humanidade, seres que vieram ampliar a compreensão sobre a vida e impulsionar a evolução espiritual da humanidade.
Esses grandes mestres frequentemente criavam escolas destinadas a transmitir seus ensinamentos. Pitágoras é um exemplo marcante. Conhecido pelo famoso teorema estudado nas escolas, ele foi muito mais do que um matemático. Fundou, no século VI a.C., uma das mais fascinantes escolas iniciáticas do Ocidente.
Segundo a tradição, Pitágoras estudou durante anos no Egito, junto aos sacerdotes dos templos, absorvendo conhecimentos que depois levaria à Grécia. Em sua escola, a matemática não era apenas cálculo: era a linguagem do cosmos. A música expressava a harmonia universal, enquanto a geometria era considerada uma linguagem sagrada, capaz de revelar as leis da criação.
Ao observarmos essas antigas escolas de sabedoria, percebemos que cada uma delas oferecia uma forma de iniciação adequada à época de seu surgimento. Mas e agora? Em pleno século XXI, diante dos desafios do homem moderno, qual seria a forma de iniciação adequada aos nossos tempos?
Vivemos uma época frequentemente associada à chamada Era de Aquário, marcada pela busca da consciência e do autoconhecimento. É natural imaginarmos que a iniciação espiritual desse novo ciclo não seja idêntica àquela vivida pelos povos antigos. Já não se trata de permanecer dias encerrado em sarcófagos, nem de enfrentar provas simbólicas como as representadas nas paredes dos templos do Egito. Os métodos mudam porque as necessidades evolutivas também mudam.
As grandes verdades universais são eternas. Não pertencem a uma época nem a uma cultura específica. Entretanto, os grandes mestres possuem a capacidade de sintetizar essas verdades e traduzi-las para as necessidades de cada tempo.
É nesse contexto que surge Carlos Bernardo González Pecotche, conhecido como Mestre RAUMSOL, criador da Logosofia, nascido em 1901 na Argentina.
A proposta de RAUMSOL responde precisamente às necessidades mais íntimas e transcendentes do ser humano de ontem, hoje e sempre.. Se, em outras épocas, a busca espiritual se realizava principalmente por meio de templos externos, hoje somos chamados a construir um templo interno. A iniciação deixa de acontecer em lugares físicos e passa a ocorrer na própria consciência.
Minha família tem origem no Egito e, movida por essa ligação, visitei os grandes templos do país. Ao entrar em Karnak, por exemplo, impressionou-me a disposição de seus espaços: um complexo grandioso que conduzia progressivamente ao santuário mais interno, reservado apenas aos sacerdotes da mais alta hierarquia.
Algo semelhante ocorria no Templo de Jerusalém. Havia espaços externos destinados às oferendas e aos rituais públicos, mas somente alguns poucos podiam penetrar no Supremo Santuário, onde se encontrava a Arca da Aliança, símbolo da presença divina. (e quem se lembra do filme Indiana Jones? Sim, os caçadores da Arca Perdida buscavam justamente essa arca).
Com o estudo da Logosofia, passei a compreender esses templos sob uma nova perspectiva. Eles não representam apenas construções históricas; simbolizam uma realidade interior. O verdadeiro templo é a própria arquitetura divina humana, esse espaço interno que precisamos descobrir.
“…não é, certamente, a época atual adequada à celebração desses rituais; hoje é necessário oficiar dentro do próprio coração na intimidade da consciência. Aí, nesse altar inviolável, custodiado por nossos sentimentos, permanecerá sem ser jamais violentado o segredo de todos os segredos: a verdade impronunciável, a palavra de Deus vivendo em nós, a palavra que pronunciamos nos momentos mais solenes de nossa vida, o mantra que, ressoando em ecos sublimes, transporta-nos a esse mundo suprassensível, que promove em nós as mais profundas emoções e traduz para nossa consciência as imagens da felicidade e do sofrimento.” Do livro Diálogos (Editora Logosófica)
Dentro de cada ser existe um altar interno, onde a consciência pode oficiar e a essência divina encontra espaço para se manifestar. Quando nos recolhemos em reflexão profunda, quando penetramos sinceramente em nós mesmos, começamos a percorrer simbolicamente esses mesmos espaços sagrados que outrora eram representados pelos templos de pedra.
A grande diferença é que, na atualidade, essa construção deve acontecer dentro de cada indivíduo.
É justamente esta a proposta da Logosofia: promover um processo de evolução consciente, realizado pelo próprio ser humano em sua vida cotidiana. Não se trata de fenômenos extraordinários, mas de um trabalho interno, gradual e consciente de aperfeiçoamento. E com que lucidez tenho percorrido e descoberto lugares dentro de mim que me surpreendem e me fazem descobrir não somente uma arquitetura divina, que vou palpando e experimentando, como uma outra vida, feliz e eterna, que me faz sentir a própria sensação de existir.
Vejo RAUMSOL como um grande Mestre de Sabedoria que trouxe para os tempos modernos a possibilidade de realizar um percurso de iniciação espiritual pelo único caminho: aquele que cada um percorre dentro de si mesmo.
Um Mestre que não alterou as grandes verdades universais, mas ofereceu um método compatível com as necessidades psicológicas e espirituais do homem contemporâneo. Por isso, seu ensinamento é tão original: remete-nos a algo conhecido de uma forma absolutamente nova.
E, se para aprender a ler, a escrever ou mesmo a viver neste mundo como seres humanos precisamos de professores, para aprender a ciência da vida precisaremos de alguém que já tenha percorrido o caminho e venha nos ajudar na condução desse percurso que se realiza dentro de si mesmo.
A Fundação Logosófica vem somar-se à jornada evolutiva que a humanidade vem buscando realizar há anos.. Uma jornada que passou pelos templos do Egito, pelas escolas da Grécia, pelos ensinamentos dos grandes mestres e que, hoje, prossegue por meio do esforço consciente de cada indivíduo para conhecer a si mesmo, transformar-se e contribuir para a construção de uma verdadeira civilização do espírito.
Por tudo isso, celebro, neste 11 de agosto, a vinda de RAUMSOL a este planeta que tanto necessita de luz e sabedoria.
