Espiritualidade

Meu encontro com um Mestre.

agosto de 2026 - 4 min de leitura
Espiritualidade

Meu encontro com um Mestre.

agosto de 2026 - 4 min de leitura

Esclareço que sempre tive uma atração pela Idade Média e pelo século XV;  muitas vezes, parece-me estar lá, naquela época em que houve um importante despertar dos seres humanos na busca por verdades e por mais sabedoria. Surgiram alguns mestres que agitaram a sociedade daquela época, tais como Espinosa, Galileu, Voltaire, Descartes e Giordano Bruno, pelos quais tenho profunda admiração. Todos eles foram influenciados pelos grandes pensadores da Antiguidade, como Sócrates, Platão e Aristóteles.

Declarei-me, a partir dos 20 anos, seguidor desses mestres. Seus pensamentos e ideias começaram a romper o casulo da ignorância em que a humanidade parecia viver.

“É tempo de substituir a superstição pela razão, a hipocrisia pela virtude e o medo pela inteligência”. Giordano Bruno. Morreu na fogueira em 1600 D.C.

“Propôs uma visão de Deus como a própria Natureza”. Espinosa (1632-1677). Foi excomungado.

“Penso, logo existo”. Descartes. Na época, não se podia pensar livremente. Era arriscado.

“A verdade é o Heliocentrismo”.  Galileu. Foi perseguido. Somente em 1992, a Igreja Católica reconheceu os erros cometidos no seu julgamento. Galileu (1564 – 1642)

Os pensamentos desses Mestres atravessaram gerações e séculos e sua valentia foi tal que os imortalizou. Permanecem vivos e cada vez mais fortes nos dias de hoje. 

Cresceu em mim um amor pela ciência e pelos mestres. Principalmente, pela ciência voltada ao campo do mundo metafísico, ao conhecimento de Deus, ao conhecimento de si mesmo e à esfera do espírito humano.

Por este motivo, sempre fiquei atento aos mestres que poderiam surgir no século XX, e os ensinamentos de González Pecotche muito me atraíram.

Frente a um mestre, temos que ter a certeza de que ele está vinculado à realidade e à verdade.

Só há uma forma: não crer simplesmente no mestre, mas comprovar na própria vida suas afirmações. Um verdadeiro mestre não quer que se creia nele. Agindo assim, afastaremos os enganadores e nos libertaremos dos intermediários.

Um mestre lhe abre as portas, mas é você quem deve caminhar e se tornar dono dos conhecimentos conquistados.

Eu, aos 20 anos, como muitos jovens, não sabia como trilhar os caminhos do mundo, tampouco compreendia por que estava aqui. Sentia um vazio. O universo metafísico e a ideia de Deus eram desconhecidos, pois, após o catecismo, pouco ouvi falar do Criador, e ninguém ao meu redor falava de algo que eu considerava importante: a alegria e a felicidade. Não me conformava em ter nascido para viver triste. Nasceu, então, uma grande dúvida: haveria alguém que pudesse me oferecer essas respostas?

Na Antiguidade, havia escolas iniciáticas. Os egípcios, graças à sua força espiritual, construíram uma civilização que perdurou por cerca de 4.000 anos.

Foi então que ocorreu um fato que me fez sentir como se eu estivesse na Idade Média ou no antigo Egito: conheci um Mestre.

A princípio, reagi com desconfiança, porque há milhares de enganadores e outros tantos que se perderam ao tentar avançar nesses caminhos metafísicos. 

Esse Mestre, Carlos Bernardo González Pecotche, aos 27 anos, dedicou seus conhecimentos à humanidade e os documentou em cartório. Isso foi um ponto a favor para que eu me tornasse seu admirador. Declarou também  que sua escola não teria finalidades lucrativas com a difusão de seus conhecimentos.

 

Outro momento decisivo foi quando tomei contato com esse conhecimento que ele ensinava:

Desterre de si para sempre o temor, por ser sinal negativo da existência humana. Comprove você mesmo, a cada dia, se em seus pensamentos, em suas palavras e em seus atos há maior valentia do que na véspera. (Bases Para Sua Conduta) 

Eu vinha andando pelos caminhos do mundo com muito temor: temor de tudo, temor da doença, temor da morte, temor do meu destino extrafísico, temor de pensar para onde iria após a morte. Sinceramente, assim não dava para viver! Eu não aproveitava a vida como deveria.

Outra experiência marcante aconteceu certa noite, quando olhava as estrelas e me veio à mente um ensinamento desse Mestre: existia um Deus de infinita imensidão, de amor, de sabedoria e de eternidade.

Pela primeira vez, escutei falar de um Deus cuja grandeza era compatível com o universo físico, com suas bilhões de estrelas. Era um Deus maior que tudo, e  senti vontade de me aproximar desse Deus.

Em seguida, tomei contato com um ensinamento de que eu deveria procurar Deus no seio da Criação e dentro do coração humano. Se Deus era a bondade e o amor e poderia habitar o meu coração, isso indicava que eu também deveria ser bom e buscar o bem.

 A vida passou a ter um significado muito importante, pois era o meio de instituir em meu caminhar um processo de evolução consciente que me aproximasse mais de Deus, pela superação de minhas deficiências psicológicas e pelo desenvolvimento de meus valores. Isso dava um novo conteúdo ao meu existir.

Com esse vasto campo de conhecimentos voltados à aplicação na vida, González Pecotche criou, em 1930, a Escola Logosófica e deixou uma extensa obra escrita que está alcançando a humanidade com o propósito de fazer deste mundo um mundo melhor, começando por nós mesmos.

Um verdadeiro mestre não se limita a transmitir conhecimentos e deixar seus discípulos seguirem sozinhos. Na Fundação Logosófica, reúnem-se grupos de estudos que facilitam o avanço nesse ramo do saber transcendente. Temos que continuar avançando no caminho de sermos melhores e de  saber cada vez mais.

Por fim, segue uma citação de González Pecotche:

“O saber transcendente é a razão de ser do homem na Terra”.


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