Jamais esqueci aquela tarde de profunda emoção!
Em meio à aula que assistia, saí da sala e percorri os corredores da universidade, visivelmente emocionada pela constatação de uma realidade que até então desconhecia.
Professora por vocação, via nas disciplinas do curso de pedagogia as respostas que buscava diante do que representava a vida escolar. Tudo me interessava vivamente: as inúmeras teorias educacionais, as práticas pedagógicas de diferentes épocas, os seres humanos que buscavam criar procedimentos capazes de favorecer o ensino, bem como os materiais e recursos pedagógicos mais atraentes.
Em especial, admirava as figuras de educadores que surgiam de época em época, preocupados em formar as gerações seguintes. Vibrava com intensidade a cada tentativa de aperfeiçoar a formação do ser humano.
Mas naquela tarde, em meio ao encantamento por uma determinada teoria educacional que eu admirava muito, o foco de minhas atenções voltou-se para a biografia daquele educador: como era sua vida, o que fazia, quais atividades desenvolvia e, sobretudo, como conduzia a sua vida familiar.
Qual não foi minha surpresa ao perceber que havia um abismo acentuado entre a teoria educacional que ele havia criado e a forma como tratava seus filhos, em nada condizente com os princípios educacionais que pregava!
Sinceramente perplexa diante dessa diferença de atuação entre o docente, quando se dedicava aos alunos, e o pai, diante de seus próprios filhos, levantei-me da mesa e saí da aula profundamente emocionada: como era possível que alguém apresentasse uma teoria educacional sem conseguir dar exemplo aos próprios filhos na aplicação dessa mesma teoria? Percorri sem rumo os corredores da universidade, refletindo sobre o profundo significado traduzido em uma única palavra: exemplo! Quantos educadores podem, de fato, testemunhar com a própria própria vida aquilo que ensinam?
Recordei-me de González Pecotche, autor da Pedagogia Logosófica, e de suas palavras ao nos ensinar que:
Todo ensinamento moral não avalizado pelo exemplo de quem o dita, atua em sentido contrário na alma de quem o recebe. (do livro Curso de Iniciação Logosófica, p. 138)
Ao ser caracterizada como a “Pedagogia do Exemplo”, a pedagogia logosófica estabelece uma nova hierarquia no processo de educar. Nela, a criança e o jovem são conduzidos a construir pontos de referência sólidos e consistentes para sua formação. O docente, por sua vez, deve constituir-se em exemplo vivo do que ensina.
Quando se trata da educação em seu mais alto significado, respeitando as condições excepcionais presentes nos seres humanos, faz-se necessário atestar com a própria vida aquilo que queremos ensinar.
Não conheci fisicamente González Pecotche, já que faleceu no ano de 1963. Contudo, em face dos inúmeros relatos de estudantes de Logosofia que conviveram com ele, podemos afirmar que o exemplo sempre fundamentou seus ensinamentos.
Por outro lado, eu mesma tenho comprovado que o alcance da sabedoria só é possível mediante sua prática, única forma de assegurar sua verdadeira posse. A referência teórica representa apenas uma parte desse processo.
Ensina-nos González Pecotche:
Após caminhar sem rumo pelos corredores da universidade, imersa em minhas reflexões, retornei à sala de aula com o ânimo renovado, mais serena agora por constatar que um educador pode e deve ensinar pelo exemplo, o que me levou a atribuir a González Pecotche a figura de um verdadeiro educador da humanidade!