Sociedade

Você está comprometendo seu futuro?

setembro de 2026 - 5 min de leitura
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Você está comprometendo seu futuro?

setembro de 2026 - 5 min de leitura

Você já se deparou com alguma situação em que percebeu, subitamente, que seu futuro estava comprometido por algo que não queria para si?

A Logosofia nos estimula a observar a própria conduta e a aplicar em nossa vida os ensinamentos de acordo com o método logosófico, que preconiza a evolução consciente de cada ser.

Tendo isso em conta, iniciei, algum tempo atrás, um labor reflexivo e meditativo com o fim de encontrar os meios para superar minha realidade interna diante de um ensinamento publicado na página 99 do livro Diálogos. Esse ensinamento nos diz que “de cada um depende que o ser de hoje não comprometa o de amanhã, criando-lhe problemas ou obrigando-o a enfrentar as situações que o primeiro não teve a valentia de enfrentar.” 

Às vezes, parece que não há como não comprometer o futuro quando se analisa o motivo pelo qual o presente se apresenta de maneira distinta daquela que se aspirava.

E, refletindo sobre isso, formei uma imagem analógica com o propósito de compreender melhor o que ocorre dentro de mim. 

Digamos que um ser realize um empréstimo de uma determinada quantia para pagar no futuro com juros. No presente desfruta apenas da alegria de poder resolver algo que o ser do presente queria solucionar, porém, um dia,  a conta baterá na porta. Bem, onde reside o xis da questão? Por vezes, realmente se faz necessário realizar um empréstimo. Mas tenho concluído, em minhas reflexões, que essa decisão deve ser tomada em conjunto com o ser do futuro. 

Vejamos duas situações distintas: na primeira, o ser de hoje faz um empréstimo para que o ser do futuro o pague, com a finalidade de passar um final de semana de festas e encontros com amigos, desfrutando de momentos de prazer intenso e imediato. O ser de hoje se beneficia e compromete o ser do futuro sem que este receba os benefícios de tal comprometimento. Ou seja, o ser do futuro fica apenas com o ônus. 

Numa segunda situação, o ser de hoje contrai um empréstimo para que seja pago pelo ser do futuro, com a finalidade de cursar o ensino superior. Nesse caso, o ser do presente está comprometendo o ser do futuro, mas o ônus vem acompanhado de um bônus, pois os benefícios desse empréstimo alcançarão também o ser do futuro. O esforço de ambos os seres projeta-se para a criação de um ser em melhores condições no futuro. Portanto, a decisão sobre aquilo que se empreende no presente, comprometendo o futuro, necessita ser analisada em conjunto com o ser do futuro.

E como fazer isso? Projetar no futuro o que se está vivendo hoje e o que se quer viver tem sido a chave para que os resultados sejam satisfatórios para todos os seres, sejam eles do passado, do presente ou do futuro.

Observando meu dia-a-dia, constatei que ainda há inúmeras outras formas de comprometer o ser do futuro, mesmo que de maneira sutil. Por exemplo, você já se deparou, de repente, com uma série de demandas que não estavam em sua lista de afazeres? De onde provêm tais demandas?

Eu vinha observando que o meu celular vinha sendo um agente especialista em me apresentar novas demandas. Ele estava 24 horas por dia notificando algo que eu deveria fazer. Comecei a analisar de onde vinham essas demandas, quais eram suas reais urgências e como elas atuavam dentro de mim. Pude perceber, gradativamente, que o meu ser do presente e do futuro estavam sendo afetados e comprometidos por necessidades que não haviam sido criadas por mim mesma. 

Observei que estava ocorrendo uma interferência constante, misturando as minhas diferentes vidas. Quando eu estava no trabalho, surgiam questões familiares; quando estava com a família, surgiam questões relacionadas a outros vínculos. E o ser do futuro parecia estar constantemente apagando incêndios, como se não houvesse um momento de descanso para trabalhar internamente comigo mesma, pois esses momentos eram os mais prejudicados pelo atendimento às demandas provenientes de outras mentes. 

E constatei, assim, que necessitava traçar um plano para desenvolver uma atuação capaz de enfrentar a situação com valentia, pois as demandas oriundas de outras mentes deveriam passar pelo crivo do ser do presente, para que não comprometessem o ser do futuro. 

Comecei a colocar as coisas em seus devidos lugares. Não poderia mais utilizar o horário do almoço para responder às solicitações apenas para me livrar delas, tendo em vista que, durante o horário de trabalho, não poderia atendê-las. Tampouco poderia utilizar os finais de semana em família para dar conta dessa situação, e muito menos  comprometer meus preciosos momentos comigo mesma. Afinal, não estou disponível as 24h do meu dia para atender às demandas que chegam aos meus aplicativos de celular, como WhatsApp, Instagram, e-mail etc. 

Eu realmente necessitava, com valentia, retomar as rédeas do meu tempo presente para não comprometer o tempo do meu ser do futuro. Então, passei a organizar meu tempo pessoal, que dedico às minhas meditações e aos meus estudos pessoais, sem a presença do celular, bem como meu tempo familiar e tempo profissional. Alterei as configurações dos meus aplicativos para que não me notificassem a todo momento sobre as demandas que chegavam. E passei a utilizar os tempos organizados, com horários definidos, para atender às demandas pertinentes às atividades que realizo, considerando que nada é tão urgente que não possa ser resolvido no devido tempo,   sem comprometer meu ser do presente e do futuro. 

É interessante compreender que essa reflexão, realizada em diversos momentos de meditação e adaptação, levou-me a perceber que, há pouco tempo, as pessoas não viviam sob a constante presença do celular, e tudo funcionava sem a urgência que parece marcar o ritmo da vida atual. Esse novo compasso tem contribuído para a criação de um ser estressado, ausente de si mesmo e vivendo com a sensação de que suas tarefas nunca chegam ao fim, ainda que tudo venha revestido pela aparência de mundo digital integrado, concebido para facilitar as interações e as comunicações.

Você já pensou sobre isso? Você também já sentiu que o seu futuro escapa de suas mãos, seja por decisões próprias ou pela falta de valentia para dizer não quando, naquele momento, não é possível atender?

Há que ter muita valentia para viver no mundo moderno sem se perder de si mesmo. A Logosofia oferece ferramentas para que o ser humano viva melhor, mais feliz, superando sua própria realidade interna. 

Venha conhecer você também essas ferramentas para a superação humana!

Muitos forjam futuros imaginários, futuros a longo prazo. Esses futuros são como se não existissem, porque cada dia desaparecem perdendo-se no passado. É necessário, pois, forjar futuros reais, fora de toda ilusão; futuros não tão distantes, a fim de poder medir o próprio domínio e as próprias forças, e saber se se está em condições de atrair esse futuro para desfrutá-lo no presente.
Introdução ao Conhecimento Logosófico

Introdução ao Conhecimento Logosófico

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Um pensamento de

 Luciana Fleischhauer
Luciana Irene Amaral Fleischhauer nasceu em Capanema - PR, é casada e mãe de 2 filhos. Graduada em Computação pela UNISINOS, em Direito pelo CESUSC e em PEDAGOGIA pela UNESUL. Possui Mestrado e Doutorado em ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS pela UFSC e Especialização em DIREITO TRIBUTÁRIO pelo IBET, em DIREITO DE FAMÍLIA pela UNISC e em DIREITO SISTÊMICO pela VERBO e atua atualmente na área jurídica. Estuda e é docente da Fundação Logosófica há mais de 30 anos (1994) em Florianópolis - SC e, desde 2019, exerce a docência logosófica em Salvador - BA.

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