Fui uma menina alegre, divertida e muito ativa. Gostava de brincar de boneca, casinha, professora e outras brincadeiras próprias da infância. A mais frequente era em frente a um quadro, dando aulas para minhas amigas. Fui criada em um bom contexto familiar, com valores e conceitos corretos para a época, além de muito afeto.
No período escolar, fui crescendo e aprendendo os conceitos básicos de cada disciplina. Mais tarde, comecei a me perguntar se esses aprendizados realmente contribuíram para me tornar um ser humano com a formação necessária para enfrentar a vida, capaz de pensar, me expressar, ter minhas próprias ideias e construir meu futuro.
Percorri o meu caminho optando por aquele sonho que, desde pequena, norteava todo o meu querer: tornei-me professora. Feliz com a profissão escolhida, fui levando aos alunos o melhor conhecimento que tinha. Nessa trajetória, procurei ser um exemplo de conduta, uma professora afetuosa e, ao mesmo tempo, exigente.
Por outro lado, observava alguns adolescentes indisciplinados, carentes de orientação e muitas vezes sem o acompanhamento necessário dos pais, que pareciam transferir para a instituição escolar toda responsabilidade.
Solteira e desejando constituir uma família que não seguisse os meios convencionais de educação, buscava também ser uma professora melhor. Por isso, fui em busca de orientações, leituras e cursos, que me proporcionassem um diferencial pedagógico. Encontrei na Logosofia profundos elementos que, até então, eu não conhecia.
Um dos elementos que encontrei foi a compreensão de que aquilo que é considerado normal para uma época pode não ser normal para a vida. Então, perguntei a mim mesma: é isso que eu quero para meus filhos?
Fui constatando que, dentro dessa educação infantojuvenil, deveriam ser abordados conceitos voltados ao desenvolvimento e ao fortalecimento da mente da criança, do adolescente e do jovem, como o valor do esforço individual, a importância das amizades e o cultivo do afeto nas relações, sejam elas familiares ou afetivas.
Esses conceitos vão criando recursos internos para que sejam capazes de enfrentar com mais equilíbrio as lutas da vida adulta. Estimulam o uso das faculdades da inteligência e colaboram para a formação de seres humanos mais livres e felizes.
Fui comprovando, na prática, o valor desse conhecimento, que aos poucos foi se incorporando à minha vida e ampliando minha visão sobre a educação. Aos poucos, fui compreendendo que se tratava de um saber essencial, que me trazia a responsabilidade de me dedicar ainda mais a esse cultivo, tanto na relação com as pessoas quanto na formação dos meus futuros filhos, encontrando nele um novo diferencial para educar.
Aprendi nessa escola, que podemos ter defesas mentais, que é possível selecionar os pensamentos para o bem, desfrutando de uma liberdade interna com mais amplitude. Que temos uma vida interna, que precisa ser cuidada e preservada. Estou comprovando neste campo experimental que, conforme ensina o autor da Logosofia, “o saber é a razão da existência do homem na Terra, a primeira e a última de suas tarefas. Faça com que o estímulo de o conseguir vibre em você permanentemente, porque nele está a verdadeira finalidade de sua vida”.
Anos depois, pude comprovar esses elementos na formação dos meus filhos. Já crescidos, observo neles a capacidade de conduzirem suas vidas com mais segurança, valentia, empenho e esforço, fazendo escolhas e construindo seus próprios caminhos, dentro da etapa que vivem.