Liberdade de pensamento

junho de 2024 - 3 min de leitura

Liberdade de pensamento

junho de 2024 - 3 min de leitura

A que chamam liberdade de pensar?

Não nos referimos à liberdade de emitir opiniões, consagrada por nossas leis, mas à liberdade de pensar em seu sentido íntimo: a possibilidade de refletir e atuar a todo o momento com independência de preconceitos, de ideias alheias, do “que dirão”, etc., e, além disso, não fazer, pensar ou dizer o que não devemos.

Neste sentido, quem se supõe amplamente livre?

Em diversas oportunidades, fizemos notar que quase todos cremos agir conforme nossa vontade e ser donos de nossa mente, sem advertir que fatores alheios a nossos propósitos interferem em tal circunstância – alguns deles da mais duvidosa origem –, como seriam os muitos pensamentos que costumam tomar conta da mente e atuar burlando o controle do homem.

Observe o leitor essas pessoas cujas vidas são um reflexo do torvelinho psicológico que reina em suas mentes. Mudam sem cessar de direção, de rota, de propósito; jamais se sentem seguras de nada; aqui e ali tratam de adquirir, emprestada, a convicção ou a certeza que nunca podem obter por si mesmas. Hoje a pedem a um livro, amanhã a um conferencista, depois a uma ideologia, a uma religião, a um partido, etc.

Têm essas pessoas liberdade de pensamento? Pensam e agem de acordo com suas vontades? Fácil é a resposta: nelas, a vontade se encontra dominada por conciliábulos de pensamentos alheios que, a certa altura da vida, chegam a ser-lhes tão necessários como a droga ao toxicômano. “Não posso lhe dar minha opinião sobre este assunto; ainda não li os jornais…” Esta sutileza de Bernard Shaw encerra, desgraçadamente, uma verdade muito comum.

E observe-se também o caso daqueles que estão de tal forma absorvidos por um pensamento, que este chega quase a constituir uma obsessão. Em circunstâncias como esta, o indivíduo acaba muitas vezes por adquirir as características do pensamento que o embarga, e até seu nome: diz-se que “fulano é um beberrão”, “é um maníaco”, “é um amargurado”.

No primeiro dos exemplos que expusemos, quer dizer, quando os pensamentos se sucedem sem ordem nem harmonia na mente, falar da liberdade que se tem para satisfazer os desejos é um contrassenso. Estas pessoas não fazem o que “querem”, mas o que “podem”; o pouco que podem alcançar entre os vaivéns e os tombos que a heterogênea mescla de pensamentos que levam em seu interior lhes acarreta. No segundo exemplo, é bem claro que não é a vontade da pessoa a que atua, mas sim o pensamento que lhe causa obsessão. O governo do indivíduo está exercido – ditatorialmente – por um ou vários pensamentos que formam um desejo, o qual instiga os instintos até obrigá-los a satisfazer a suas exigências.

Enquanto o ser viver alheio por completo a quanto ocorre em sua região mental e não conhecer a chave mediante a qual poderá obter um severo controle sobre ela, não poderá jamais alegar que é dono de si mesmo e, portanto, não poderá pensar livremente.


Um pensamento de

Você também pode gostar

Autoconhecimento

Logosofia: ciência do conhecimento de si mesmo

Neste artigo, a autora aborda a Logosofia como uma ciência que oferece um método de estudos e conhecimentos que permitem a cada pessoa conhecer a si mesma e, paralelamente, superar suas condições ...

Autoconhecimento

Por que devemos ter um guia para a vida consciente

Quando a gente viaja para um lugar desconhecido, um guia faz diferença: ele ajuda a entender o mapa, a evitar caminhos que atrasam, a aproveitar melhor o tempo, e principalmente a perceber coisas que...

Vida

Aprendendo com a Logosofia qual o sentido da vida

Neste artigo, Eliana Paulina Santos nos relata como sua vida começou a ter outro sentido quando conheceu a Logosofia. Ela encontrou o caminho que tanto buscava e pode responder às suas inquietudes e...