No início da minha trajetória, eu buscava a felicidade e o bom encaminhamento da vida, mas sentia o peso das inseguranças diante dos desafios que o futuro poderia apresentar. Foi nesse contexto que conheci meu esposo, que já realizava, na Fundação Logosófica, o estudo desta ciência e cultura: a Logosofia, criada pelo pensador e humanista Carlos Bernardo González Pecotche.
Com muito desprendimento, González Pecotche me transmitiu elementos que marcaram profundamente minha vida, apresentando-me conceitos fundamentais sobre os pensamentos, Deus, a vida e a felicidade. Tocou-me profundamente compreender que a verdadeira oração é aquela que se manifesta em uma conduta honrosa e que eu deveria buscar o saber em substituição ao simples crer.
Sob o amparo dos conhecimentos desta ciência e com objetivos nobres para a constituição de nossa família, passamos a cultivar os três elementos básicos do amor: a paciência, a constância e a tolerância. Quando nossa filha atingiu a idade escolar, não tivemos dúvidas em matriculá-la no Colégio Logosófico González Pecotche. Sua missão de oferecer à infância e à juventude um amparo que favorecesse o desenvolvimento pleno das aptidões mentais, morais e espirituais era exatamente o que buscávamos. Ao participar ativamente das atividades destinadas aos pais, senti a necessidade de enriquecer meu interno. Compreendi que, para ser uma mãe, esposa e amiga melhor, precisava adquirir conhecimentos que me possibilitassem educar de maneira mais integral.
Com a chegada do nosso segundo filho e com a vida já organizada, iniciei formalmente meus estudos logosóficos. Descobri, então, a responsabilidade inerente à elevada missão da família: ser o apoio moral e o ambiente onde os filhos encontram o afeto e a orientação segura para o seu crescimento, visando o processo de evolução consciente.
Buscando dentro de mim a recordação das horas felizes e de tudo que foi motivo de ventura e emoção, sinto ampliar-se o vínculo eterno com meus seres queridos. É grande o entusiasmo e a alegria que brotam de nossos corações quando estamos reunidos nos almoços em família; sempre temos muito o que recordar. Temos o hábito de reviver passagens significativas de nossas vidas através de cartinhas, bilhetes cheios de afeto, filmes de comemorações, viagens e fotografias. São conversas em que trocamos elementos de bem e aprendemos muito juntos. Temos a certeza de que o que se quer com o coração permanece em nossas vidas.
À medida que assimilo esses conhecimentos, percebo a família como um “ateliê insubstituível“, onde se formam as bases da unidade humana e surge a oportunidade de evoluir em um ambiente de paz e generosidade. Ao realizar o processo preconizado pela Logosofia, passei a observar minhas próprias deficiências psicológicas que prejudicam a convivência. Tenho me empenhado em corrigir esses aspectos e conquistar virtudes que me permitam ser um exemplo real para os que amo. Aprendi que qualquer ensinamento não avalizado pela conduta atua de forma contrária na mente de quem queremos educar; por isso, busco não ensinar antes de haver aprendido e realizado em mim mesma.
Hoje, essa trajetória se reflete em gerações. Meus filhos, que desfrutaram do ambiente do Colégio Logosófico e dos Setores de Menores, são hoje estudantes desta ciência. Essa reação em cadeia alcançou também meu genro e, agora, meus netos, que seguem os passos da família nos Setores de Adolescentes e Juvenil da Fundação Logosófica.
…a arte de ensinar é muito diferente da arte de aprender. Efetivamente, tratando-se do conhecimento transcendente, que guia para o aperfeiçoamento, não se pode ensinar o que se sabe se, ao fazê-lo, não for refletida, como uma garantia do saber, a segurança que cada um deve dar com seu próprio exemplo. É aí justamente onde a arte de ensinar começa a fazer-se difícil, porque não se trata de transmitir um ensinamento ou mostrar que se sabe isto ou aquilo; quem assim fizesse se converteria em um simples repetidor do ensinamento, em um autômato, e seu trabalho careceria de toda eficácia. Outra coisa é quando, por meio da palavra de quem ensina, coincidente com seus atos, vão se descobrindo qualidades relevantes; e outra coisa é também quando se vai manifestando a capacidade de assimilação naquele que escuta e aprende; então, quem aprende, aprende de verdade, e quem ensina, ensina conscientemente.