Aperfeiçoamento

González Pecotche e a Ciência do Afeto

agosto de 2026 - 4 min de leitura
Aperfeiçoamento

González Pecotche e a Ciência do Afeto

agosto de 2026 - 4 min de leitura

Pode parecer estranho mencionar ciência e afeto na mesma frase, mas antes mesmo de conhecer essa forma de apresentar a Logosofia, eu já percebia que havia nela algo diferente nela quando me aproximei da Fundação Logosófica. O ambiente sereno e inexplicavelmente acolhedor que encontrei em minha primeira visita parecia estender-se às pessoas que me recebiam e manifestar-se na forma como me tratavam. De tudo se desprendia uma atmosfera aconchegante.

Apesar dos muitos elementos que emergiam quando buscava compreender o conceito de Logosofia – como a “ciência da evolução consciente”, “um método original para a busca da verdade” e, ainda, “uma nova forma de sentir e conceber a vida”–, todos afinados com o que minha sensibilidade captava, havia  algo que perpassava tudo isso, algo que eu ainda estava por descobrir. 

Comecei a perceber a presença do que faltava para completar a imagem da Logosofia em minha mente ao ouvir os estudantes mais antigos relatarem como aplicavam os ensinamentos logosóficos em suas vidas. As experiências compartilhadas sobre os obstáculos que superavam e os benefícios que registravam com precisão, mostrando-me uma mente educada e ativa, vinham acompanhados de manifestações de gratidão que, antes de serem meros gestos de polidez, revelavam uma sensibilidade apurada, capaz de  dar calor às palavras de agradecimento.

Como um estudante recém-chegado à Fundação, eu queria também poder, em breve tempo, fazer parte daquele conjunto que vivenciava e testemunhava benefícios e avanços, frutos da prática do conhecimento logosófico. O apreço que demonstravam pelo autor da Logosofia e as sinceras manifestações de gratidão não me pareciam um sinal de reverência ou veneração. Eu mal suspeitava, porém, que estava prestes a compreender, com maior clareza, o que expressavam aqueles estudantes veteranos. 

Com o intuito de aplicar em mim alguns dos ensinamentos que estudava no livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, escolhi uma das atuações que queria superar: a de ser uma pessoa atabalhoada. No ambiente de trabalho, costumava derrubar objetos da minha mesa, e não foram poucas as vezes em que chamaram minha atenção para esse comportamento,  levando-me a acreditar que eu já era conhecido como um estabanado. No livro, encontrei referências à “brusquidão”, deficiência psicológica que acomete os seres que “não conseguiram limar as asperezas de seu caráter”. 

A atenção à minha conduta, os elementos recolhidos do estudo dessa deficiência e o propósito firme de combatê-la logo produziram os primeiros resultados, a ponto de meus colegas me interpelarem, querendo saber o que havia produzido um ajuste tão surpreendente na minha conduta. Mesmo sabendo que deveria seguir trabalhando para que os resultados dos primeiros esforços se sedimentassem, não deixei de experimentar sincera gratidão por quem me ensinou a trabalhar sobre aquilo que eu considerava um traço irremovível. 

Percebi a presença do sentimento de gratidão quando, lendo as orelhas de um dos livros logosóficos, deparei-me com uma pequena biografia do autor, junto com uma imagem sua, serena e penetrante, como a de alguém que ensina e espera resultados pacientemente.

Algum tempo depois, realizando meus estudos, cada vez mais estimulado pela perspectiva concreta de esculpir uma nova e melhor figura, encontrei um trecho que me fez compreender por que González Pecotche se aproximava cada vez mais de mim, por meio de um vínculo que se fortalecia conforme eu comprovava o valor de seus ensinamentos. Na parte inicial do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, ele destaca: 

Ao publicar esta obra, queremos também destacar que o autor não escreve seus livros como a maioria, que julga cumprido seu objetivo com a publicação deles. Lidos estes, seus leitores continuam sendo, para o autor, tão estranhos como antes. Com as obras logosóficas, ocorre o inverso: aqueles que as leem procuram quase sempre vincular-se a quem as escreve – que fez escola de sua ciência – e o seguem com verdadeiro afã de cultivar a si mesmos e orientar-se pelos ensinamentos que, com deleite, extraem de cada uma de suas páginas. 

O vínculo com o autor e sua obra, à medida que progredia em mim, além de despertar movimentos inéditos em minha sensibilidade, começou também a fazer surgir o propósito de anunciar a outros seres próximos a fonte que se abria para mim como um novo e formoso campo experimental. Nela, encontrava a oportunidade de reformar minha conduta e evoluir com a consciência de que cabia a mim ser meu próprio redentor.

Ao publicar esta obra, queremos também destacar que o autor não escreve seus livros como a maioria, que julga cumprido seu objetivo com a publicação deles. Lidos estes, seus leitores continuam sendo, para o autor, tão estranhos como antes. Com as obras logosóficas, ocorre o inverso: aqueles que as leem procuram quase sempre vincular-se a quem as escreve – que fez escola de sua ciência – e o seguem com verdadeiro afã de cultivar a si mesmos e orientar-se pelos ensinamentos que, com deleite, extraem de cada uma de suas páginas
Introdução ao Conhecimento Logosófico

Introdução ao Conhecimento Logosófico

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Um pensamento de

 José Marcio Moreira Corrêa
José Marcio Moreira Corrêa, nascido em Ubá (MG), casado, tem dois filhos e dois netos, é Administrador de Empresas e atua também como consultor em T.I. Ingressou na Fundação Logosófica em 1981 e faz parte do Corpo Docente da Filial Brasília.

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