Educação

A juventude necessita de uma bússola?

agosto de 2026 - 5 min de leitura
Educação

A juventude necessita de uma bússola?

agosto de 2026 - 5 min de leitura

Caótico, conturbado e confuso. 

Estes são alguns dos adjetivos utilizados por muitas pessoas para definir o tempo em que vivemos, marcado por grande desorientação em diversos aspectos, especialmente no que se refere à infância e à juventude. Os desafios são numerosos e podem ser observados diariamente à nossa volta: o avanço extraordinário da tecnologia tem favorecido o uso cada vez mais intenso das redes sociais; as demandas da vida moderna e a crescente pressão pelo consumismo fazem parte desse cenário. Tudo isso torna pais, crianças e adolescentes alvos de um bombardeio diário promovido por um marketing cada vez mais sofisticado. 

Apesar do avanço da civilização nos mais diversos campos do conhecimento humano, vivemos tempos realmente contraditórios. Não faltam teorias e caminhos que se apresentam como uma luz capaz de iluminar o nebuloso e, por vezes, sombrio panorama que se descortina diante de nós. Infelizmente, a realidade mostra que os caminhos até então apontados não têm apresentado resultados concretos para a transformação desse cenário.

Há milênios, a humanidade vive sob a influência de duas forças que impactam a vida dos seres humanos: o bem e o mal. Por outro lado, se fizermos uma viagem no tempo, poderemos constatar o extraordinário avanço das conquistas no campo material, desde os primeiros inventos voltados à sobrevivência do ser humano e à sua adaptação ao meio ambiente, passando pela revolução tecnológica, até chegarmos aos tempos atuais.

Não podemos perder de vista que tudo, absolutamente tudo, o que a humanidade conquistou ao longo de sua trajetória, em todos os campos, somente foi possível por meio do conhecimento. Afinal, a solução dos problemas, dos mais simples aos mais complexos, depende do saber que o ser humano desenvolve ao buscar transformar a realidade.

Por outro lado, como explicar que, apesar de tão extraordinário avanço, ainda observamos tantos conflitos entre as pessoas pelos motivos mais fúteis? Um simples acidente de trânsito, por exemplo, pode terminar em uma tragédia.

Acrescente-se ainda as lutas entre povos e nações, sob as mais diversas justificativas. Enfim, vivemos tempos realmente desafiadores para pais e educadores. Não é um grande paradoxo? Parece que, quanto mais se avança na ciência e na tecnologia, mais se afasta a ansiada paz entre os povos. A que se deve essa grande contradição? O que está faltando, principalmente na orientação da infância e da juventude? Haveria uma luz no fim do túnel?

Reiteramos que o homem avançou muito no campo material, em todos os aspectos, graças ao conhecimento, e não a teorias e crenças. Que natureza de conhecimento está faltando à humanidade? E onde adquirir conhecimentos que preencham essa lacuna humanística?

Criada pelo pensador e humanista Carlos Bernardo González Pecotche, a Logosofia, ciência da evolução consciente, é a “luz no fim do túnel”. Esta ciência deu origem à pedagogia logosófica, constituída por conhecimentos voltados à educação da infância e da juventude que não fazem parte dos currículos escolares conhecidos. A Logosofia apresenta conhecimentos de caráter original e um método próprio que permite sua aplicação  prática  à vida. 

lidada há décadas através da Fundação Logosófica, instituição presente em vários países, bem como nas escolas do Sistema Logosófico de Educação, no Brasil, na Argentina e no Uruguai, que realizam, sem alarde, um trabalho de reconstrução humana.

Vale a pena conhecer esta ciência original: uma bússola que aponta para o norte da verdadeira formação mental, moral e espiritual da infância e da juventude.

"Os problemas da juventude Entre as etapas da vida humana corrente, existem duas que, por serem as formativas do caráter e preparatórias do espírito para a luta, merecem a mais acentuada preocupação por parte dos pais, dos professores que tenham como encargo a tarefa de educar, e das autoridades cuja função seja a de zelar pelo futuro das gerações jovens: a infância propriamente dita, que vai até os doze anos, e a juventude, que, partindo da adolescência, se interna na vida depois dos vinte e cinco anos, oportunidade em que esta haverá de exigir, como dever irrecusável, uma contribuição à sociedade humana em termos de cultura, capacidade e iniciativa. É uma verdade inegável que a educação da infância e da juventude tem sido visivelmente descuidada em quase todos os povos do mundo, apesar de geralmente se pensar que, nas salas de aula das escolas, o aluno recebe educação suficiente e que, cumpridos os programas de estudo, ele terá completado sua preparação. A experiência já demonstrou que não é assim. As crianças precisam ser preservadas de todo elemento nocivo ou pernicioso para seu espírito: escutar conversações impróprias para sua idade, ou delas participar; companhias inadequadas; leituras inconvenientes; filmes não recomendáveis para sua incipiente reflexão, etc. Quanto à juventude, faz-se imprescindível uma preparação que lhe permita enfrentar com inteligência e valentia as contingências da vida; em poucas palavras, o que a alma do jovem requer são estímulos sadios e nobres, como também raciocínios férteis sobre sua conduta e as perspectivas que, de acordo com ela, haverão de se abrir para o seu futuro. Acima de tudo isso, porém, será mister orientá-lo sobre as experiências instrutivas das lutas diárias, sobre modos de conduzir-se e, principalmente, sobre a importância que seu próprio porvir tem para ele e para a sociedade. Sabe-se que nem todos os jovens oferecem as condições requeridas para cumprir, mais tarde, altas funções em quaisquer das atividades em que, por sua inclinação natural e vocação, lhes tocasse atuar, e que nem todos serão chamados a assumir responsabilidades de vital importância em posições que requeiram a influência efetiva da capacidade pessoal, ou seja, uma competência superior; mas não haverá dúvida de que um treinamento adequado permitirá que sejam muitos mais os que se capacitem e se destaquem num amanhã, quando a pátria, e talvez a humanidade, deles necessitem. Parece, e muitos são os motivos pelos quais isto já pôde ser confirmado, que em todos os povos do mundo os afãs da sociedade humana tenderam a formar profissionais da ciência, da política, do comércio, da indústria, etc., mas não a formar homens, homens a quem os próprios povos poderiam confiar seus altos destinos em todos os aspectos da vida política, social e cultural, com miras perduráveis de progresso e unidade moral.
Coletânea da Revista Logosofia – Tomo I

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