O humanismo logosófico vai ao encontro das reservas morais do gênero humano.
Ao estudar, praticar e assimilar os conhecimentos logosóficos, o ser humano amplia a compreensão de si mesmo e de seus semelhantes, estabelecendo verdadeiros vínculos existenciais. Desse modo, constrói e participa de um sistema colaborativo permeado por valores morais e conduta ética, no qual as lutas, os desafios, os problemas e as grandes questões historicamente inquietantes e indecifráveis tornam-se pauta e objeto de profícuas investigações e intercâmbios transcendentes.
Os resultados alcançados pelos investigadores da ciência logosófica vêm demonstrando que a elevação de propósitos, o bastar-se a si mesmo em todas as ordens, o conhecimento de si mesmo, a vontade de ser melhor, o cultivo das faculdades da inteligência, o pensar consciente, entre muitos outros elementos constitutivos da moral natural, possibilitam a estruturação arquetípica da conduta ética e sua alta expressão nas relações humanas.
A conduta ética deve harmonizar-se com a evolução da consciência, sendo exercida de modo consciente para espelhar o verdadeiro ser, formado pela pureza de conceitos como Deus, existência, vida, destino, ser humano, mente e inteligência — conceitos perenes e atemporais, vinculados à vontade do Criador, expressa nos princípios das Leis Universais.
Desse modo, concretiza-se um humanismo fundamentado na própria concepção do ser humano, que se realiza no cumprimento de seus objetivos – evoluir e auxiliar os demais em seu processo de evolução.
A moral natural eclode do manejo de si mesmo, do tomar as rédeas do próprio destino e da responsabilidade pela própria vida, compreendendo para que e por que se vive. Convida a substituir a posição passiva e contemplativa de homem-massa, excessivamente personalista, por uma conduta ativa e participativa, orientada para tornar-se aquilo que se quer ser: um indivíduo íntegro e integral, único em sua essência, que sente o que pensa e pensa sobre o que sente. Assim, o ser humano tem a oportunidade de integrar sua natureza espiritual à natureza física e seguir uma jornada mais equilibrada, construtiva e transformadora.
A conduta ética reflete o cultivo da moral natural, viabilizando o verdadeiro humanismo.
Desde que tomei contato com esse conhecimento, passei a identificar quem sou e quem quero ser. O método logosófico fornece as ferramentas e os passos para a travessia, e eu passei a ser o próprio objeto das investigações. Essa trajetória propicia uma verdadeira sensação de liberdade – liberdade interna, encontros marcados comigo mesma. Entretanto, também exige mais responsabilidade, sensatez e prudência.
Requer também considerar, de forma moderada, as escolhas e opções correspondentes aos novos horizontes apresentados pela Logosofia, que se abrem ao entendimento e ao sentir, levando-me a encarar a realidade interna, decidindo conhecê-la tal como se apresenta e firmando a determinação de superá-la.
Ao mesmo tempo, reconhece-se que o outro possui as mesmas prerrogativas, que fazemos parte de um todo e que cada ser humano detém um fragmento da verdade universal. Que alegria quando esses fragmentos se encaixam e favorecem o vínculo entre os homens! A visão de moral se expande e se eleva, a conduta ética se torna possível, e surgem a compreensão e a paz.
“Humanismo é, para a Logosofia, o ser racional e consciente, que realiza em si mesmo as excelências de sua condição de humano e de seu conteúdo espiritual, sobre a base de uma incessante superação. As referidas excelências deverão estender-se, pelo exemplo e pelo ensinamento, a toda a humanidade.” (González Pecotche, O Mecanismo da Vida Consciente, p.106-107)
“A Logosofia não trata de criar um novo tipo de homem, mas ensina ao ente humano, isso sim, a arte de criar a si mesmo, reconstruindo, com os fragmentos dispersos de sua vida-individualidade-destino, a imagem genuína do pensamento causal.” (González Pecotche, O Mecanismo da Vida Consciente, p.109)
Desde menina, eu queria muito ser adulta. Queria ser independente, andar sozinha. Perguntava insistentemente aos familiares quando poderia ter uma bolsa e sair de casa desacompanhada. Recordo claramente essa sensação e a vontade de aprender, de ser orientada pelos mais velhos.
Na adolescência, percebi que tudo estava muito fragmentado, que os adultos não teriam as respostas para os meus questionamentos e que a busca pelos recursos que me guiariam correria por minha conta.
Jovem, essas inquietudes aumentavam e a falta de respostas gerava ansiedade, incertezas, dúvida e vazios. As indagações mais profundas e o sentido de viver cobravam explicações lógicas, reais e comprováveis. Sentia também a necessidade de ser útil e de fazer a diferença no coletivo.
Quando iniciei os estudos logosóficos, as peças começaram a se encaixar. O conceito de ser humano e de seu papel no seio da humanidade foi tomando forma e me serenando, pois a rota vai se descortinando e eu vou me sentindo mais segura, mais confiante e mais capaz de conduzir o meu destino, conforme o conceito universal de ser humano, ao mesmo tempo em que compartilho esse bem com os demais, atendendo à recôndita necessidade de ser útil, de fazer a diferença e de servir. Tem sido uma experiência encantadora e revolucionária.
Observo que venho acessando minhas reservas morais, as quais registram a história da minha existência, as potencialidades latentes, as aptidões ainda não manifestas e a própria essência – aquele toque cósmico que todos contemos. Passei a ter uma convivência de respeito e afeto comigo mesma, que estendo à relação com os demais, pelo exercício da ética superior.
Estou entendendo que é na coreografia mental e sensível, comigo mesma e com os semelhantes, criada pela prática e assimilação dos conhecimentos logosóficos, que o humanismo se configura, se estabelece e se expande. Ele alcança um número cada vez maior de pessoas, gerando uma verdadeira corrente de bem entre aqueles que se dispõem a experimentar uma nova cultura. Trata-se de uma cultura portadora de uma nova relação de causas e efeitos, voltada ao alcance de novos resultados e benefícios para a humanidade.
