Caro González Pecotche,
Quando eu tinha 19 anos, uma frase veio à minha mente pela primeira vez: “Lucas, você precisa tomar as rédeas da sua vida.”
Aquilo me causou um impacto enorme e despertou uma dúvida ainda maior: como assim, tomar as rédeas da própria vida? O que isso significava, na prática? A resposta comecei a encontrar dois anos depois, quando você, Carlos Bernardo González Pecotche, me foi apresentado e começou a me ensinar a viver.
Escrevo hoje para lhe demonstrar minha gratidão que, como tenho aprendido com você, vem da consciência do bem recebido. E quanto bem você já me fez…
Sem ter você como guia e mestre de sabedoria, provavelmente teria me contentado em acreditar que bastava pagar minhas próprias contas para ter as rédeas da minha vida.
Você, com paciência e afeto, foi me mostrando que eu precisava ir muito além.
Você me mostrou que eu deveria buscar o saber essencial, para que eu passasse a ser cada dia mais livre, mais humano e estivesse cada vez mais perto do Criador.
Afinal, o saber é a razão da existência do homem na Terra, a primeira e a última de suas tarefas, não é mesmo?
Uma das primeiras questões que aprendi foi sobre a realidade dos pensamentos. Com esse conhecimento, percebi que, muitas vezes, as rédeas da minha vida não estavam comigo. Quem mandava era um pensamento, uma força com vida própria, que me empurrava de um lado para o outro como se eu fosse uma “marionete”. Pode parecer estranho dito dessa forma, mas qualquer pessoa que alguma vez se viu fazendo algo que não queria, dominada por uma ideia da qual não conseguia se desprender, sabe do que estou falando.
A diferença é que hoje eu conheço esse mecanismo. Ainda perco algumas dessas batalhas internas, mas agora sei que são batalhas, e que posso enfrentá-las, o que já é motivo para que eu seja grato. E, quando percebo que já consigo resistir a tantas ideologias que tentam dominar a humanidade, a gratidão só aumenta.
Você me ensinou que a luta é a lei da vida, e este conhecimento, em vez de pesar, me trouxe alívio. As dificuldades deixaram de ser vistas como problemas e se transformaram em oportunidades de aprender e crescer. Foi então que comecei a cultivar um valor conscientemente: a valentia. Aos poucos, o medo foi perdendo espaço em mim. Mesmo que, às vezes, ele ainda apareça, hoje sei como encará-lo – e isso muda tudo.
Aprendi a ter não apenas esperança, mas a certeza de que podemos contribuir para a construção de uma humanidade mais feliz. Observo esse resultado na aplicação dos conhecimentos logosóficos em minha própria vida e na convivência com os demais estudantes de Logosofia. No ambiente da Fundação Logosófica, encontro os meios e o estímulo para construir uma vida melhor e colaborar para essa transformação.
Sou grato ao Colégio Logosófico, onde tantas crianças aprendem o que eu só vim a conhecer mais tarde. Eu não estudei lá, mas meus filhos estudarão. Penso nisso com alegria e sinto, desde já, uma gratidão antecipada por tudo aquilo que eles viverão. É possível ser grato por algo que ainda não aconteceu? Hoje sei que sim.
Você me mostrou algo simples e enorme ao mesmo tempo: que a vida é um presente do Criador, uma oportunidade para eu buscar evoluir rumo à perfeição e tornar-me um verdadeiro servidor da humanidade.
Agradeço por me fazer mais humano e por me ensinar que vigiar a própria conduta é o maior dos exercícios espirituais. Afinal, a conduta honrosa, forjada ao longo de todos os dias da vida, é a mais bela das orações – a única que Deus admite, não é mesmo?
Ah! Também sou grato por você ter sido exemplo de tudo o que ensinou. Saber que você foi um ser humano que enfrentou duras lutas ao longo de sua vida, sem se esquivar de nenhuma delas, e que as tomou como impulso para se tornar ainda mais amplo e generoso com a humanidade é, para mim, a comprovação do que o conhecimento logosófico é capaz de realizar na vida de uma pessoa.
Um forte e afetuoso abraço!
